A espada cravada em um coração.
O coração representa o amor ardente, vivo, pulsante.
A espada a dor, o sacrifício, o rompimento. Mas também, a coragem.
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A espada cravada em um coração.
O coração representa o amor ardente, vivo, pulsante.
A espada a dor, o sacrifício, o rompimento. Mas também, a coragem.
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Eu sempre odiei a solidão. Sempre odiei esses papéis que me foram dados. Sempre odiei o tom informal dos meus pensamentos. Mas, num certo domingo, eu percebi que tudo havia colapsado. Uma meditação que deu errado.
Esse é um texto de capítulos — e hoje, números —
são só números jogados à sorte.
I - Amargo
Essa é uma história engraçada para os corações que dormem acordados. Deve ser por isso que sempre estou atormentada nos meus próprios pesadelos, enquanto, pela manhã, minha cabeça esquece o nome dos meus demônios...
É amargo o colapso de uma identidade frágil. Destinada a tudo - soem os falsos alarmes: eu cheguei! - para nada. Viver é exaustivo, eu sei. Mas nessa história engraçada, você nunca se contentou. Um herói que nunca salvou ninguém. Mas você é destinada - a viver inteiramente na solidão que sempre abominou.
Nada faz sentido quando tudo já está desmontado, não importa quantas vezes você resgate os milhões de pedaços seus. Essa continua não sendo você. Você já esqueceu tudo pela manhã.
Viver pode ser amargo sob uma identidade frágil, fracassando e fracassando. E dói não é? Dói... E isso sempre vai voltar a você. É o seu padrão. Como um 8 também pode ser o infinito. Foram escolhas que você fez, foram os resultados que você premeditou.
Tão consciente e não conseguiu perceber? A bomba já ia estourar.
II. Câmera
Condenada a salvar os outros e esquecer sempre de si mesma. Como era o nome daquela música mesmo? Reescreva, né? Aham... entendi... reescreva. Minha memória já não é mais a mesma, há um conflito entre dignidade e liberdade nesse futuro em que descobri.
Mais uma dessas, e a máquina vai quebrar.
O que se pode fazer com uma câmera que já não tira mais fotografias? Não adianta puxar pela memória. Está danificada. Infelizmente, não conseguiu salvar nada.
Como posso dar chaves para um prisioneiro sem correntes? O que diabos está passando na sua cabeça? Isso é só mais um colapso de outra identidade frágil.
É só mais um enigma sobre os medos escaldados na sua alma. Não importa o quanto você reescreva, sempre houve a pressa em apagá-los.
III. Pressão.
Um lago negro. Sombrio... Paraíso sombrio. Perpetuou as boas memórias que para sempre habitarão em você. Não vou tornar a dizer o óbvio. Tic-tac... tic-tac... O tempo apenas continua passando.
Mais uma vez estão chamando por você. Mas faz muito barulho para você conseguir ouvir. Você já está muito mergulhada em camadas invisíveis, que nunca foram projetadas para te proteger. Sempre foram fugas. E todos esses caminhos te trouxeram de volta para onde mesmo? Ah sim...
Para você.
Nessa pressão, encurralada num funil. Eu ouvia seus gritos: Não quero que seja feliz. Isso não é um colapso. Tudo já desmoronou. Nesse jogo de xadrez, você já perdeu e esqueceu as estratégias há muito tempo.
Sem compaixão. Aqui não falamos mais de amor.
Não é querendo provocar, mas... Já ouviu falar sobre amores líquidos? É que eu acabei lembrando de como você veio tentando agarrar o amor. Eu não lembro — bom, pelo menos nunca ouvi falar — de alguém que tenha conseguido segurar água.
IV. Labirinto.
O Eco que ressoa. A alma que escuta. O coração que demanda. O corpo que sente. E a mente... um labirinto.
Nesse labirinto, a busca por respostas te deixou frente a frente com um paredão branco. E você ouviu de uma consciência muito sábia:
Não há resposta aqui.
O labirinto não exige ser desvendado. Mas dentro dele existem coisas a serem perseguidas. Você pode escolher o seu prêmio, mas só pode sair com um. Esse continua sendo um jogo com poucos vencedores.
Desistir também pode ser uma vitória.
Nessa história engraçada. Não precisamos de heróis. Continua existindo a opção de desistir de uma luta perdida. Nos seus dias menos sóbrios. Sua mente sussurrou... você vai colapsar. Colapsar... a maquina vai ruir. Ou se salvar, basta você decidir. Mas a escolha nunca foi feita.
TicTac...TicTac...TicTac...
Até porque, não há mais nada aqui. Nada para ser encontrado ou buscado. Sua própria mente te jogou fora do quarto escuro. Você nunca acendeu a luz, estava com medo de ver o que?
Não tinha nada.
V. Quebra-Cabeça
A vaidade das escolhas fáceis te levou a duvidas maçantes. Nada disso importa no final. Você conseguiu todas suas respostas. Terminar todo essa quebra-cabeça te trouxe algum tipo de satisfação?
Destrua-o.
A raiva emerge. Grita. Arrasta. Nada estava bem. Quando você foi embora e me deixou trancada. Nada ficou bem. Muitos segredos não podem permanecer trancados. Segredos difíceis de ouvir. De digerir. Que doíam no seu âmago. E a raiva emerge.
Perdão... Por quem? Cartas ao sol? Escorpião? Cartas em branco? Algum desses importa no final?
O doce sabor de ser medíocre e não ter que se perder nada. A doce insolência da ignorância. Eu queria ser um poço de nada. Mas essa tristeza me puxa e me arrasta em direção ao abismo. De volta ao quarto escuro.
Onde todos vocês querem o meu maldito bem.
Essa parede branca vai esmagar todos seus sentimentos.
Não há nada.
Você montou um quebra-cabeça totalmente em branco.
VI. É
Até hoje eu me pergunto, nessa história engraçada. Onde você estava esse tempo inteiro. Para no fim, me dizer:
É.
E o que foi feito esse tempo inteiro? Castelos de areia levados por ondas? Nunca existiu um problema aqui, que não tenha sido eu mesma quem criou? O que deveria ser mostrado ou aprendido? Nada?
Me escancarar para um vazio branco, sábio. Sólido. E me jogar essa palavra: nada. Não há perdão? Não há rancor. Remorso, ódio. Toda essa violência, sempre foi direcionada para mim ? É um declive. Uma tragédia. É a maior comédia que eu já vi ser escrita.
Amor é agir.
Mesmo que exista um mundo ideal e irreal. Ele não vai me preencher. E, covardemente, eu tentei fugir do que eu mais tentei agarrar: A realidade crua. Apenas é, você só precisava aceitar.
Nessa história engraçada. Cheia de quadros em brancos, casas vazias. Memórias. Respostas incompreendidas. Existe um mundo. Uma imensidão branca, não para que percebas nada. Não para que sintas nada. Apenas para...
Ser.
Para Natália.
Uma meditação que deu certo.
Não me sobraram dias quentes, mas uma melancolia ardente de tudo o que sobrou. Vejo um deserto frio, este que minha mente ansiou, e, a cada ...