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domingo, 11 de janeiro de 2026

Numa busca incessante por sentido, depara-se com um tipo de amor irracional. Daqueles que não se medem pelo esforço ou por uma singularidade em especial. Lembro-me de ser acometida por uma tristeza enorme, e a fuga dela pareceu-me tão correta.

E toda fuga me cobra com juros altíssimos. Estou meio cansada de olhar com os olhos traídos ou de dizer intermináveis adeus. Não quero me culpar por todos os erros, mas fugir da tristeza é um risco enorme. Abrir a porta para desconhecidos entrarem sob a promessa de permanecer pode ser a maior prisão, disfarçada de uma tristeza que não quer ser deixada.

É uma perda. É um refúgio. Quaisquer que fossem os motivos, todos são banais neste momento. E não me importa o quê ou quem: nada realmente afasta essa sensação inegável que me acomete todos os dias: a de existir.

sexta-feira, 7 de março de 2025

O outro lado

Quaisquer que fossem as circunstâncias...

Minha alma conhece o outro lado.


Eu jamais esqueceria, 

o céu em vidro e as estradas coloridas.

Eu jamais

esqueceria. 


Porra cara


Quaisquer que fossem as circunstâncias, 

eu teria te perdoado. 

Nunca para ser tarde demais... 


porra 


Eu queria tanto estar do outro lado.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Lá por fora

Expectativas e passos frustrados, lado a lado...

No fim do dia... sonhos são pedaços tão abaláveis de nós mesmos. 


O amor está tão fora de moda, 

e isso tem se tornado a minha ruína. 


Trevas e calabouços, nada disso é real. 

Estou rodeada por campos de flores e me sinto triste. 


Eu abro a porta para os meus demônios saírem, 

mas eles sempre querem  fazer as pazes. 


Esse é um caminho que me faz sentir vivo. 

...entre o que está por vir e só viver. 


Droga, eu estou tão fora de moda.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Escorpião

(es·cor·pi·ão)
substantivo masculino
Origem etimológica:latim scorpio, -onis.

Esse é um texto com 7 capítulos, por vários motivos esse número foi escolhido. Iniciei esse texto no dia 20 de abril de 2024 às 21:17. Cartas ao sol foi escrito em 22 de abril de 2021.

I. A sinceridade do vazio.

Algumas vezes nada precisa ser dito para um começo ou um final. Algumas vezes o amor é inocente nos jogos do ego, e a memória pode facilmente ser traída. E no silêncio de palavras não ditas, deitamos nossos corpos sobre a verdade de quem somos. 

Nos deparamos com um vazio. E fragilmente tentamos separar a dualidade de nossos sentimentos para refazer o passado. E mesmo assim, é possível inconscientemente encontrar um tipo de sinceridade interior. Sobre o que esse vazio pode dizer a respeito de nós mesmos. 

E na saudade de nós mesmos, o vazio implica em atitudes cruéis. Veladas por atos secretos e afoitos, uma tentativa fútil de mudar a realidade por meras distrações. Distrações essas que podem mascarar a verdade em desejos reprimidos, falsas esperanças e um sentimento depreciativo. 

Na sinceridade do vazio, encontra-se um limbo de repetições. Um loop de hábitos criados para exaustivamente nos enganar desse buraco. Que nunca engana, apenas camufla e infla várias camadas de nossas personalidades. 

Até que se cria uma caminho sem volta. Uma dor tão segura sobre quem se ser, um comodismo tão fácil e tangível. Passa a ser difícil resistir, mesmo que essas escolhas possam ser tão cruéis. Mas o vazio criava até forma humana para somente dizer que o mundo também era cruel, e nunca haveria momentos - de fato - acolhedores. 

E mesmo após dias bons, no fim da noite... Quando devíamos nos recolher, ouve-se o vazio sussurrar...  e outra vez se arruinava. A solidão que se formava, não poderia se formar. Mas formou, e ainda solidificou todos esses pensamentos incessantes para perpetuar a melhor mentira bem contada.

Aquela que você acreditaria. 

Mas acreditaria tão forte, a ponto de se tornar um escárnio. E todas as vezes que o vazio chamasse, não ouviria nunca mais a voz da consciência, pois já estaria mergulhado em águas profundas, para que não tivesse que ouvir a sinceridade do vazio, e para sempre pudesse se sentir feliz. 

Uma felicidade frígida. 

Facilmente substituída por qualquer outra distração. E quando tudo ficasse silencioso demais, poderia desabar e desabafar sobre tudo. Sem o limite das palavras, pois não conhece o peso delas. Nem como as usar. E seria muito mais fácil fugir, do que lidar com coisas sinceras.


II. O lamento do coração. 

Poderia um anjo cair e ruir, mas continuar a ser bom? Poderia um anjo abraçar sua escuridão e encontrar um caminho entre a destruição e a paz? Um coração atormentado, preso em sonhos intermináveis...poderia encontrar perdão?

Poderia um dia se perdoar?

O lamento de um coração não é sobre uma tristeza que não passa. É uma sensação que arrebata todas as outras. E quando se escuta falar sobre... já se está muito distante para perceber. É um barulho sem som, uma dor que não dói. Uma escuridão que não assusta. 

Não chamaria de vazio... Mas chamaria de cheio. A sinceridade do vazio - as vezes - reconforta. O lamento do coração não. É um querer sentir tão frágil, tão escasso. Tão preguiçoso. Um pensamento obstinado e obsessivo... intruso. Não tem nada a ver com a morte. Mas com querer viver. Não tem nada a ver com ser capaz. Mas com ser qualquer coisa. 

É um professor exigente. 

Um lamento tão profundo. Uma vergonha tão arrebatadora. E imperceptível. O lamento de um coração não entra em conflito. Qual o preço a ser pago para se purificar... ou amor é somente para os fortes. 

Eu poderia desistir e continuar a ser bom? 

Ou seria outro pecado indelével? 

III. O Aprisionamento da alma. 

(...)

IV. Dualidade e semelhanças. 

E quando se encontraram. Deram tão certo como o céu e a terra. Como o dia e a noite. Um amontado de mistérios que logo seriam resolvidos - pela singela existência um do outro. O destino seria tão perfeito, ou um feito amaldiçoador. 

Teria sido tudo coincidência, ou apenas um teatro. Seria uma cópia do original ou uma vontade reprimida de reproduzir o outro. Estaria tão perplexo pela outra existência, a ponto de deseja-la incompreendidamente. 

E o tempo passaria a reproduzir as respostas que nunca haviam sido feitas no passado?

O Amor não seria imprudente. Mas seria insuficiente para salvar qualquer laço. E somente a morte traria o perdão que tanto foi ansiado... Até que perdesse todo o sentido. 

Eu não quero mais, repetiria.

E assim o seria. 

V. Redenção dos espíritos menores. 

O amor cura e se deixará ser curada?

Os via correr pelo mar, sorrisos e todos os tipos de brincadeiras. Não os invejou, mas desejou ser como eles de novo. O dia parecia não ter fim e seu pensamento ressignificava outras memórias, e no horizonte já se via distante. Mas não com saudade, não com apreensão. Ja havia perdido todas as chances, não precisava mais tentar. 

Será que um dia será digna? 

Talvez não tenha essa resposta. 

Hoje, distante. Experimentando um tipo de solidão tranquila, a solidão de ser só sua. Quis encontrar a mesma sintonia. Já faz alguns anos... que queria uma chance. 

Poderia um anjo guiar um coração atormentado? Para a sua redenção? Queria encontrar alguém tão parecido com seu coração, que não tenha medo da verdade. Que não desista... 


VI. Mentiras vaidosas. 

As escolhas feitas de mãos vazias, agora estão cheias de culpa. 

Não conhecemos o coração dos outros... não podemos criar conclusões sobre a dor de ser cada um. Mesmo que algumas situações pareçam óbvias, mentiras envenenam a certeza.

O lamento de um coração não entra em conflito com a sinceridade do vazio. A verdade liberta. A mentira cria dualidades e caminhos que não se pode percorrer...

Não sem a certeza. 

Mas a incerteza chega, e quando vens. Vens para destruir, dilacerar qualquer sentimento. O abismo grita, o vazio se afasta. Está cheio novamente... e precisa esvaziar. Precisa de qualquer motivo para se agarrar a realidade, antes que por um fio... tudo se vá.

E é tão fácil se deixar ir.

Como se o mundo não mais importasse. Nada de diferente poderia ser feito. E ao mesmo tempo pode ser feito de tudo. Porque uma vez o vazio sussurrou... nas noites em que não conseguia dormir, e tinhas a mente atormentada. 

O perdão não pode ser vazio. Precisa ser sempre completo, não pode existir brechas. Tem de ocorrer em um todo, para que em sua totalidade supere a decepção. Algumas vezes nada precisa ser dito, não precisa de bons motivos para se abandonar boas memórias, se essas já estão envenenadas. 

Não se pode criar certezas cruéis sobre os outros. E jamais me atreveria a escrever - não de novo - sobre o coração de outra pessoa.

VII. Partidas.

Nunca é muito tarde para se dar uma nova chance. Não é necessário alarde, ou qualquer brutalidade do sentimento. Não é mais preciso se pensar demais, ou adivinhar todos os motivos. 

A natureza do escorpião é essa. E ninguém pode mudá-la. 


Para Cássia. Essa e várias outras.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Sóbria dor

Nas escusas dos problemas, 
liquefaz a solidez 
dos dias sórdidos 
que algum dia 
trouxeram 
qualquer coisa. 

Um amor romântico
polarizado 
pela surdez do sentimento. 
Estou me afogando
na minha própria iluminação.

Soem os falsos alarmes, 
eu cheguei...
para nada.

Estou sóbrio da minha própria dor, 
mergulhado num psiquismo.
Minha libertação
é o inferno
e meu pesar
é o paraíso.

Estou incrédulo em reconhecer
porque está a doer.

Até a hora da minha morte

Não me sobraram dias quentes, mas uma melancolia ardente de tudo o que sobrou. Vejo um deserto frio, este que minha mente ansiou, e, a cada ...