substantivo masculino
Origem etimológica:latim scorpio, -onis.
Esse é um texto com 7 capítulos, por vários motivos esse número foi escolhido. Iniciei esse texto no dia 20 de abril de 2024 às 21:17. Cartas ao sol foi escrito em 22 de abril de 2021.
I. A sinceridade do vazio.
Algumas vezes nada precisa ser dito para um começo ou um final. Algumas vezes o amor é inocente nos jogos do ego, e a memória pode facilmente ser traída. E no silêncio de palavras não ditas, deitamos nossos corpos sobre a verdade de quem somos.
Nos deparamos com um vazio. E fragilmente tentamos separar a dualidade de nossos sentimentos para refazer o passado. E mesmo assim, é possível inconscientemente encontrar um tipo de sinceridade interior. Sobre o que esse vazio pode dizer a respeito de nós mesmos.
E na saudade de nós mesmos, o vazio implica em atitudes cruéis. Veladas por atos secretos e afoitos, uma tentativa fútil de mudar a realidade por meras distrações. Distrações essas que podem mascarar a verdade em desejos reprimidos, falsas esperanças e um sentimento depreciativo.
Na sinceridade do vazio, encontra-se um limbo de repetições. Um loop de hábitos criados para exaustivamente nos enganar desse buraco. Que nunca engana, apenas camufla e infla várias camadas de nossas personalidades.
Até que se cria uma caminho sem volta. Uma dor tão segura sobre quem se ser, um comodismo tão fácil e tangível. Passa a ser difícil resistir, mesmo que essas escolhas possam ser tão cruéis. Mas o vazio criava até forma humana para somente dizer que o mundo também era cruel, e nunca haveria momentos - de fato - acolhedores.
E mesmo após dias bons, no fim da noite... Quando devíamos nos recolher, ouve-se o vazio sussurrar... e outra vez se arruinava. A solidão que se formava, não poderia se formar. Mas formou, e ainda solidificou todos esses pensamentos incessantes para perpetuar a melhor mentira bem contada.
Aquela que você acreditaria.
Mas acreditaria tão forte, a ponto de se tornar um escárnio. E todas as vezes que o vazio chamasse, não ouviria nunca mais a voz da consciência, pois já estaria mergulhado em águas profundas, para que não tivesse que ouvir a sinceridade do vazio, e para sempre pudesse se sentir feliz.
Uma felicidade frígida.
Facilmente substituída por qualquer outra distração. E quando tudo ficasse silencioso demais, poderia desabar e desabafar sobre tudo. Sem o limite das palavras, pois não conhece o peso delas. Nem como as usar. E seria muito mais fácil fugir, do que lidar com coisas sinceras.
II. O lamento do coração.
Poderia um anjo cair e ruir, mas continuar a ser bom? Poderia um anjo abraçar sua escuridão e encontrar um caminho entre a destruição e a paz? Um coração atormentado, preso em sonhos intermináveis...poderia encontrar perdão?
Poderia um dia se perdoar?
O lamento de um coração não é sobre uma tristeza que não passa. É uma sensação que arrebata todas as outras. E quando se escuta falar sobre... já se está muito distante para perceber. É um barulho sem som, uma dor que não dói. Uma escuridão que não assusta.
Não chamaria de vazio... Mas chamaria de cheio. A sinceridade do vazio - as vezes - reconforta. O lamento do coração não. É um querer sentir tão frágil, tão escasso. Tão preguiçoso. Um pensamento obstinado e obsessivo... intruso. Não tem nada a ver com a morte. Mas com querer viver. Não tem nada a ver com ser capaz. Mas com ser qualquer coisa.
É um professor exigente.
Um lamento tão profundo. Uma vergonha tão arrebatadora. E imperceptível. O lamento de um coração não entra em conflito. Qual o preço a ser pago para se purificar... ou amor é somente para os fortes.
Eu poderia desistir e continuar a ser bom?
Ou seria outro pecado indelével?
III. O Aprisionamento da alma.
(...)
IV. Dualidade e semelhanças.
E quando se encontraram. Deram tão certo como o céu e a terra. Como o dia e a noite. Um amontado de mistérios que logo seriam resolvidos - pela singela existência um do outro. O destino seria tão perfeito, ou um feito amaldiçoador.
Teria sido tudo coincidência, ou apenas um teatro. Seria uma cópia do original ou uma vontade reprimida de reproduzir o outro. Estaria tão perplexo pela outra existência, a ponto de deseja-la incompreendidamente.
E o tempo passaria a reproduzir as respostas que nunca haviam sido feitas no passado?
O Amor não seria imprudente. Mas seria insuficiente para salvar qualquer laço. E somente a morte traria o perdão que tanto foi ansiado... Até que perdesse todo o sentido.
Eu não quero mais, repetiria.
E assim o seria.
As escolhas feitas de mãos vazias, agora estão cheias de culpa.
Não conhecemos o coração dos outros... não podemos criar conclusões sobre a dor de ser cada um. Mesmo que algumas situações pareçam óbvias, mentiras envenenam a certeza.
O lamento de um coração não entra em conflito com a sinceridade do vazio. A verdade liberta. A mentira cria dualidades e caminhos que não se pode percorrer...
Não sem a certeza.
Mas a incerteza chega, e quando vens. Vens para destruir, dilacerar qualquer sentimento. O abismo grita, o vazio se afasta. Está cheio novamente... e precisa esvaziar. Precisa de qualquer motivo para se agarrar a realidade, antes que por um fio... tudo se vá.
E é tão fácil se deixar ir.
Como se o mundo não mais importasse. Nada de diferente poderia ser feito. E ao mesmo tempo pode ser feito de tudo. Porque uma vez o vazio sussurrou... nas noites em que não conseguia dormir, e tinhas a mente atormentada.
O perdão não pode ser vazio. Precisa ser sempre completo, não pode existir brechas. Tem de ocorrer em um todo, para que em sua totalidade supere a decepção. Algumas vezes nada precisa ser dito, não precisa de bons motivos para se abandonar boas memórias, se essas já estão envenenadas.
Não se pode criar certezas cruéis sobre os outros. E jamais me atreveria a escrever - não de novo - sobre o coração de outra pessoa.
VII. Partidas.
Nunca é muito tarde para se dar uma nova chance. Não é necessário alarde, ou qualquer brutalidade do sentimento. Não é mais preciso se pensar demais, ou adivinhar todos os motivos.
A natureza do escorpião é essa. E ninguém pode mudá-la.
Para Cássia. Essa e várias outras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Coments