quarta-feira, 29 de julho de 2026

Amarguei

Quando não houver mais nada a ser dito, o silêncio - sim, de fato - irá responder todas as perguntas. 

Cada um será responsável por preencher suas memórias falsas. 

Se hoje atrevo a me indispor sobre mágoas e remorsos passados. 

Já os faço com o coração seco. 

Manchado. 


Não que o amor tenha ido embora. Mas também não há resquícios dele. 

Pode ser que o tesouro ainda exista e vá ser encontrado. 

Mas gosto de pensar que não por mim. 

Nem por você. 


Mas para aqueles que ainda acreditam, 

que do amor podem vir riquezas. 

E deixarei morrer mais uma tola esperança, 

para que eu permaneça viva em meus princípios. 


Que nada me valem hoje em dia. 

Mas que não me ferem.

Mas sustentam.


E não haverá palavras sinceras e macias. 

Pois o tempo as enferrujou. 

E há quem acredite que meu coração amargou. 

E talvez o tenha. 


Talvez meu espírito só tenha se enchido de paz, 

que desculpas e ternuras não me toquem igual antes.

E a solidão me seja mais bem vida, 

do que problemas cotidianos. 


A solidão me trouxe a sabedoria, do que eu nunca quis enxergar.

E depois de ver quem eu me tornei.

Não tornarei a fechar meus olhos. 


E há quem diga que eu amarguei,

por ter amado um pouco exagerado demais.

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