terça-feira, 5 de março de 2019

Congele o fogo

Abra as suas mãos, eis aqui um presente digno.
Olhe-me nos olhos, dar-me seu sorriso.
O tempo está escorrendo, consegue perceber?
O segredo por trás dos nossos olhos cansados.

Tola, algumas coisas não nos fazem sentir bem.
Eu carreguei próximo a mim, todo esse fogo congelado.
Oh... Estenda-me suas mãos, para eu entregar-lhe.
O derretimento dos meus olhos, deste espaço vazio.

Manterá em segredo, as coisas nunca contadas?
Tudo és tão lindo... antes de cair no chão.
Eis que minha redenção andou lado a lado a mim...
Assim foram feita escolhas, os riscos sempre foram duro demais
para serem suportados por essas mãos escorregadias.

Olha-me nos olhos criança, pare de encarar o caixão.
O sol é muito quente quando se estás próximo.
Assim é, o amor é muito forte, quando se estás próximo.
Assim é...

Custou o que custou. O tempo que levou para chegar lá.
Baderneiros surrupiaram a cidade, mas não houve de fato
o mesmo estrago que esse homens bons tramaram.
As mentiras sujas fizeram sua moradia, você se levou lá.

Estamos muito velhos para amargurar demais.
Os venenos já são sem efeito. O chão de vidro, são só cacos.
Tola, seus pés não começaram sangrar agora.
Velhos amantes da solidão, estamos sangrando pelo que achamos ser certo.

Eis aqui seu presente, uma caixa vazia.
Assim é, não poderia ser diferente.
Eis que não poderia ter nada mais belo, desde que nada te restas.
Nada também te sobras.
Nada te prendes. E conhecerás que:

Fogo, não se congela.

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