quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Até a hora da minha morte

Não me sobraram dias quentes, mas uma melancolia ardente de tudo o que sobrou. Vejo um deserto frio, este que minha mente ansiou, e, a cada vez, vou me afastando... Em direção ao mesmo calabouço que tranquei todos esses disfarces. 

Mas eu preciso de um deles para o dia a dia. 

E, por mais que eu grite todos os meus tormentos, não quero que ninguém me estenda a mão, minha mente continua a mesma, repleta de escolhas erradas, traçando caminhos que não são meus. Diluindo, a cada dia, mais um pouco desse veneno, acariciando esse limbo que é a única coisa que me completa.

Um coração calmo. Vencido pelo luto de não mais lutar. Deixado para depois. Vivendo apenas no que se pode fazer. Sorrindo despretensiosamente para todas as possibilidades que podem te salvar. Mas nenhuma vai. 

Não sei o que fazer quando me sobram muitas horas. E, até a minha morte, parece que é só isso que eu tenho: muitas horas...

domingo, 11 de janeiro de 2026

Numa busca incessante por sentido, depara-se com um tipo de amor irracional. Daqueles que não se medem pelo esforço ou por uma singularidade em especial. Lembro-me de ser acometida por uma tristeza enorme, e a fuga dela pareceu-me tão correta.

E toda fuga me cobra com juros altíssimos. Estou meio cansada de olhar com os olhos traídos ou de dizer intermináveis adeus. Não quero me culpar por todos os erros, mas fugir da tristeza é um risco enorme. Abrir a porta para desconhecidos entrarem sob a promessa de permanecer pode ser a maior prisão, disfarçada de uma tristeza que não quer ser deixada.

É uma perda. É um refúgio. Quaisquer que fossem os motivos, todos são banais neste momento. E não me importa o quê ou quem: nada realmente afasta essa sensação inegável que me acomete todos os dias: a de existir.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Presente

 A espada cravada em um coração. 

O coração representa o amor ardente, vivo, pulsante. 

A espada a dor, o sacrifício, o rompimento. Mas também, a coragem.

-

Todas as escolhas que fiz ao longo dos anos...
deram errado.
Eu falhei inúmeras vezes. 

Ainda bem. 

Todos esses erros, todas essas falhas... 
Me trouxeram a esse exato momento.
Como se o mundo tivesse girado e girado
...e tudo tivesse se encaixando perfeitamente. 
Eu nunca fiquei tão feliz por tantos erros.

Eu vivi para esse momento.

-

Quando mais nada preenchia meu coração, eu pensei que fosse outro erro. Quando todos os meus melhores pedaços  haviam ficado no passado, foi apenas em único dia que você me salvou. E me trouxe para o agora.

A vida muitas vezes é uma fuga. Durante muitos anos... ela foi. O presente parecia vago, distante... intangível... eu já havia conversado comigo mesma tantas vezes, eu precisava viver meu presente. O passado amargava meu coração.

Você me salvou.

Eu nunca tive planos de permanecer. Mesmo sabendo que não era eu quem iria embora. A minha natureza é fugir meu bem, eu sempre estou fugindo de tudo. Eu sou uma eterna irresponsável. 

Não é que eu pense que nada pode dar certo. Eu só não gosto muito quando elas dão. Talvez seja a falta de esperança que rodeia meu coração. Talvez sejam as mágoas do passado, isso não importa agora. Eu percebi a sua aproximação e desejei muitas vezes não fazer parte disso. 

Mas me peguei sendo parte disso, repetindo os padrões que eu não deveria repetir. Pensei por muito tempo que eu estava usando você para fugir da minha própria cabeça, bom... eu estava. E sinto que você também, mas não posso afirmar isso. Não sei o que se passa dentro do seu coração. 

Talvez eu não tenha visto chegar. Mas dentro de mim, em algum momento eu sabia que iria doer. Mas o sentimento de perda, de luto... só veio muito em cima da partida. E sinceramente, eu também não pensei que ia doer um monte. 

Eu nunca pensei muito sobre o que exatamente eu sentia por você. Porque no inicio, você era a fuga perfeita. Eu não era obcecada por você. Eu não abria suas fotos, não imaginava um futuro. Não me sentia apaixonada. Até porque eu me conheço, mesmo que eu sinta algo por alguém, nunca dura. Meu coração é uma casca vazia, cansado de amar. Cansado de todas as pessoas. 

Eu apenas estava ali. Porque de repente... eu gostava demais da sua companhia. Porque você não me pressionava para me ver. E eu tenho muito medo de sair do quarto e lidar com a vida real... com o presente. Gostava de você porque você fazia eu me sentir segura. Gostava que não sabia nada sobre o meu passado. E fico pensando até hoje, será que se você tivesse conhecido o meu eu passado, que era repleto de amor e felicidade, você ainda estaria perto de alguém tão vazio quanto eu?

Gostava da leveza das conversas, em que nada precisava ser um jogo. Gostava quando você me falava dos seus objetivos. Quando explicava sobre as coisas que você gostava de fazer. Gostava do entusiasmo em que me explicava sobre seus jogos. Gostava que me queria por perto. Gostava que me ouvia falar várias besteiras quando estava completamente ocupado. Gostava quando se estressava com algo e comigo falava com uma voz mansa. Gostava que dividia os pormenores dos seus dias comigo.

Gostava da forma como falava com a sua mãe. Gostava que tomava a responsabilidade das coisas para si. Gostava da coragem que falava do futuro. Gostava dos problemas pequenos da sua vida. Gostava que você criava vários meios para me prender ali. 

Eu vi você se aproximar todas essas vezes. 

Mas eu não pensei em todos esses detalhes. Porque enquanto eles aconteciam, eu apenas estava presente. Eu não lembrava do meu passado, ou do futuro. Eu não pensava no que havia dado certo ou no que havia dado errado. Eu apenas estava ali.

Eu gostava quando mandava mensagem falando que vira e mexe abria uma foto. E foi exatamente nesse dia que você me fisgou. Eu estava totalmente fora de órbita esse dia. Fora da caixa, uma crise de identidade dilacerou todo meu estado mental. Eu estava pronta para fugir de qualquer coisa e qualquer pessoa que me fizesse sentir o mínimo.

Eu tentei de todas as formas fugir de tudo. Tentei fazer várias coisas. Nada e nada funcionava. Já não aguentava mais o vazio beirando meu coração, meu mundo se desfazendo. Eu não sabia quem eu era, muito menos o que eu queria. 

E simplesmente... você apareceu como um passe de mágica. Falando as maiores amenidades que se pode falar. "Fazendo uma carteirinha falsa para ir ao cinema com meia entrada". Eu olhei aquilo tão incrédula, que pensei... porque essas coisas acontecem na minha vida? Eu estou tendo uma crise de identidade e tem um maluco no meu privado.

E o mundo ficou em silêncio. 

Meu coração ficou em silêncio. Essa noite eu dormi com o coração tranquilo. Depois que falei com você, eu não consigo nem lembrar pelo que minha mente me atormentava. A crise não foi embora. A ansiedade continuou a voltar. E você também... estava ali. 

Eu odeio admitir isso. Mas você me salvou. Eu não sei exatamente o que eu sinto por você. Mas eu sei que vou guardar você para sempre no meu coração. Não por achar que eu tenho uma divida por você. Mas porque eu genuinamente pude ser eu mesma, pude confiar em você, pude gostar de você, sem sentir todo o peso do passado. 

E nunca tinha me dado conta disso. Nunca tinha me dado conta de que todos os erros que havia cometido na minha vida, me trouxeram para isso. E acredite, realmente trouxeram. De pessoas que não pude ver, de situações que não aconteceram. Até mesmo voltar para uma cidade que nunca foi minha intenção voltar. 

O mais engraçado, é que eu voltei por diversos motivos. Mas eu poderia ainda estar em outro lugar. Eu não ia voltar tão rápido. Mas voltei a tempo, voltei no tempo de mais coisas darem errado. E no tempo de poder te ver e viver isso. 

Pelo menos você deu certo.

Eu nunca tinha aceitado sair com alguém pessoalmente. Foi a primeira vez que eu fiz isso. Eu sempre evito essas coisas. Passei o dia todo ansiosa. Tive que comprar uma água, parar em um loja para respirar com calma. Minha cabeça gritando para eu ir embora e esquecer isso tudo. Quando eu ouvi sua voz atrás de mim, e você estava ali. Eu relaxei... voltei a me sentir segura de novo. Como se você fosse uma velha coincidência. Um lugar calmo. Seguro. Inabalável. 

Hoje... eu estou sofrendo muito. Não sei exatamente como vou viver daqui pra frente. Mas não quero que fique vinculado a mim. Isso é mais uma das coisas que eu vou aprender a lidar. E terei que lidar com um novo tipo de medo. 

Eu quero tanto sua felicidade, que tenho tanto medo de acontecer algo com você. Medo de algo dar errado. Mas tenho fé de que nada disso vai acontecer, que vai dar tudo certo. E posso acalmar meu coração.

E agora tenho energia para pensar no meu futuro. Sem medo. Agora tenho uma vontade inacreditável de viver. Uma coragem. Uma determinação. Uma leveza e uma certeza que as coisas vão dar certo. Eu havia procurado me curar há tantos anos, eu caminhava em passos leves na direção dela. E você me deu esse presente.

Acho que faz anos que não me sinto tão feliz. Por alguém poder existir na minha vida. E por eu estar viva. 

Eu não sei se nesse tempo, eu fui um momento acolhedor para você. Mas espero que eu tenha sido. Eu não sou muito de falar sobre essas coisas. Ou ficar idealizando momentos. Na realidade, eu até sou. Mas algo no meu coração sempre me falou que em relação a você as coisas deveriam só acontecer. 

Sem falar demais. Sem planejar demais. Apenas que fossem. 

Obrigada por todos esses dias. Você preencheu meu coração e minha vida. Eu queria passar mais tempo com você. Mas você tem uma nova vida para viver, e eu desejo que viva ela intensamente. 

Quando se sentir triste, deixe a janela aberta para entrar um pouco de luz. Deixe o amor entrar também. Se exponha para o mundo, mesmo que pareça agoniante e perigoso demais. Existe um lugar no mundo em que é possível se amar sem medo. E espero que se leve lá, de vez em quando ou sempre. Seja em paz ou cheio de agonia. Também merecemos amor nos nossos piores momentos. 

Não quero que a tristeza atravesse seu coração. Mas se houver dias solitários demais, procure dentro de você seu lugar seguro. Para você descansar sua essência. Quando houver cansaço, permita-se descansar o coração e a mente, não só o corpo. Existem pessoas nesse mundo e no outro, que torcem por você. Que querem o seu bem. E que tem amor por você. Lembre-se delas nos seus dias mais difíceis. 

Queria poder te ajudar nisso tudo, mas alguns desertos temos que passar sozinhos. Algumas dores temos que sentir sozinhos, para saber para onde realmente vamos, quem somos e o que queremos. 

Não vou falar para que seja forte e responsável. Você já é. Já tem coragem, já tem determinação. Só não as deixe apagar. Você é uma pessoa incrível, não pense em momento algum que você não é. Mas também seja humilde... não precisa ser tão bonzinho, nem seja feito de besta, principalmente por mulheres. Não engravida ninguém pela amor de Deus. Tenha foco, sei que você vai alcançar as coisas que você quer. 

Eu vou estar aqui para o que precisar. Talvez distante, talvez sem tempo. Talvez me mudando para algum lugar do mundo. Mas sempre vou estar aqui por você.

E acima disso tudo, viva. Tudo o que quiser viver. Sem freios e com freios. Ame, sinta, sorria, chore, mas viva... viva intensamente.

É tudo que eu quero que me prometa, que vai continuar vivendo.

Eu não sei se um dia vou voltar a te ver. Não sei o dia de amanhã. Mas quero que saiba que um pedacinho da minha alma está indo embora. Mas você está me devolvendo mais que um pedacinho. Serei eternamente grata pela sua vida, por ter te conhecido, por ter divido esse tempo com você. 
Você sempre vai existir no meu coração, para sempre. 

Espero que você seja feliz. 
E quem sabe um dia, eu veja você mais uma vez.
Para o B. 
Com amor.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Oblivion - Cartas para se esquecer

 A tradução de "oblivion" para o português é esquecimento. "Oblivion" também pode se referir a um estado de completo esquecimento, um lugar ou condição de estar esquecido, ou ainda, o ato de esquecer. 


A sua punição é um único dia de paz dentro da sua mente.


Numa redoma de vidro, você pisa delicadamente passos exaustos, numa passividade estonteante. Tudo está devidamente organizado, prateleira por prateleira, caixa por caixa. Então, por que quer destruir tudo? 

Cheiro de flores e ervas. Magias e velas. Quer abafar o cheiro dos pedaços seus em decomposição? Seu corpo está morrendo, sua mente está atrofiando. O sofrimento é seu aliado ou você o trancou junto aos segredos sujos? 

Você dança e dança dentro da redoma de vidro. E o mundo gira em torno do caos que você nos proporcionou. Vítima das próprias escolhas, dos próprios desejos. O mundo não lhe vê, e você não vê o mundo. As pessoas são hipócritas e vaidosas. E eis que a bruxa vira vítima no próprio caldeirão, banhada nos próprios pecados, cansada das próprias opiniões. 

A redoma de vidro racha, desesperadamente precisa de um reparo. Ela não pode cair, ela não pode trincar, ela precisa se manter - é o meu destino, eu já o aceitei. Eu já aceitei - você repete, e repete, e repete. Você aceitou quem? Esse estranho que dorme e acorda ao seu lado. Ou o seu destino?

Nessa floresta escura em que você passeia, suas dores e tragédias são apenas brincadeiras para os espíritos maiores. Os verdadeiros vilões são impiedosos. Não estão escondidos do passado, culpando a sociedade ou esse mundo falido que estamos vivendo. Você não é bruxa, nem má. Nem odeia o mundo tanto assim. 

É só um espírito menor, com o brilho ofuscado. Enraizou tantas mentiras, que não consegue mais sair do mundo da fantasia. Criticou tanto o que te gerou,  mas já não sabe mais viver na verdade. Pode ir embora se quiser, eu estou aqui apenas para machucar e cutucar essa ferida que existe no seu coração. 

Porque eu te vejo, com os olhos que você não vê o mundo. E ninguém amará você. Todos querem sempre a mesma coisa, te prender, roubar tua liberdade. Todo mundo nesse mundo é igual. Você não precisa de nenhum deles. 

Mas eu te vejo. Transparente como a água. Límpida como um rio. 

Cubra seus olhos, tampe seus ouvidos. Não são demônios que vêm te atormentar na escuridão do seu quarto. São pensamentos egoístas que flutuam na tua mente. Traições e mentiras, mecanismos de defesas para sobreviver. Manipulações voláteis para sempre ser a vítima de si mesma. 

Não quer ouvir a verdade ou assumir seus erros? Não quer fazer um simples pedido de desculpas? Quer se apropriar da personalidade, do amor, de tudo. Você quer sugar toda a beleza que havia aqui para você. 

O todo onipresente amor, não é tão presente assim. Sua cabeça é um caos, um limbo existencial. Suas dores gritam e performam já fora de você. Seus traumas já tomaram conta. Você é uma marionete tentando se encaixar futilmente num mundo que nunca te coube - e que nunca caberá. 

É cruel viver numa redoma de vidro construída por você. O que é cruel? Isso é só uma questão de ponto de vista não é? Para mim, a mentira é cruel  - e crucial - para destruir laços verdadeiros. Para você, cruel é o quê?

Eu sou cruel? Devo ter sido. Em algum do momento do passado, eu gostaria de ter sido muito mais. Na mesma medida em que foi comigo.

Eu sei que não é sobre isso.

Eu sei que é sobre não saber lidar com o silêncio e o caos.


Um pedaço meu e seu

Mas não é hora para isso. Vamos voltar anos atrás.


Quero que se imagine criança. Segure minha mão — eu prometo não soltar quando coisas aterrorizantes aparecerem. E podemos seguir juntas até o final.


Pegue um pedaço da minha alma. No momento, é a única coisa que eu tenho para oferecer nos momentos difíceis, quando a vida apertar... Minha mão estará estendida, talvez meus olhos estejam apagados, e no íntimo não me dê vontade alguma de te dizer lindas mentiras. Mas isso continua sendo sobre amor.


Quero que imagine um lugar cheio de filhotes — podem ser do que você quiser, de qualquer animal que desejar, da quantidade que preferir. Eles estão em um local fechado, e vamos ter que entrar lá dentro. Mas não pode entrar.


Entramos rindo.


Não há problemas aqui. Só há filhotes. Quero que imagine a maior quantidade de filhotes que conseguir. Quero que pense no amor e na felicidade de poder estar ali, com criaturas puras, longe de qualquer perigo real. Pode me ignorar. Sei que é difícil, mas consegue imaginar por muito tempo? E esquecer completamente desse texto?


Podemos ficar bastante tempo aqui. Estou olhando a janela, enquanto vejo você bagunçar os coitados dos filhotes. Ninguém está vindo. Podemos ficar sem nos preocupar. E se alguém aparecer, vão fazer o quê? Bater na gente?


A gente corre!


Leva um filhote ainda, pra eles aprenderem a não ficar batendo nos outros. Mas roubar é errado. A gente devolve o bichinho quando ninguém estiver olhando. Apenas se divirta. Eu continuo olhando pela janela... não tem ninguém vindo.


Se der a hora de ir, apenas vamos. Se escurecer, apenas ligamos as lanternas. Somos crianças? Somos. Mas isso algum dia nos impediu de fazer algo? Apenas se divirta.


Agora, quero que se imagine em uma sorveteria. Pode escolher à vontade.


Você misturou muitas cores e ficou tudo marrom. Agora está rindo — e pior, misturou muitos sabores ruins. Inacreditável. Esse sorvete deve estar uma porcaria.


Somos crianças. Isso não importa tanto. Ninguém brigou — ainda — com a gente. Sim, eu gosto de cobertura de tutti-frutti. É bom, poxa. E se a gente sair correndo na hora de pagar? E se a gente só sair andando?


Ah... se pararem a gente? A gente volta e paga. E se faz de lesa, menina. Vão fazer o quê? Prender a gente?


Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei... vai ficar tudo bem. Isso tudo é coisa da sua cabeça. Vai ficar tudo bem. Eu tô aqui. Por incrível que pareça, vampiros não existem. Acredita nisso?


Eu sei. Eu sei que é difícil. Eu sei que ninguém vai entender. Eu sei que é difícil sobreviver a tudo isso. Eu sei que vão pensar que você é louca. Mas eu não acho isso. Eu nunca achei isso. O mundo não te vê, mas eu vejo.


Cada passo desmedido. Cada grito silencioso. Eu sei que arranha o interior da sua alma. Sei que o mundo é um lugar cruel. Sei que existem coisas que eu não faço ideia. Mas vão te amar. Vão gostar de você. Mas você também precisa... tentar.


Você não precisa se tornar nada. Você não precisa ser nada. E se quiser ser caos, seja. Se quiser ser silêncio, seja. Você não precisa aceitar nada. Você não precisa de nada. Você já tem tudo.


Tem um coração muito machucado que reflete. Mas não um coração ruim. Não um coração que não mereça amor ou ser amado. Que não mereça perdão ou respeito.


Este é o final. Só seguimos até aqui.

Espero que fique tudo bem com isso.


A Anarquia de existir.

Se, por ventura, algum mal lhe ocorresse, e a cura estivesse ao cruzar mares e céus, meus pés já estariam cansados. Não foram poucas as vezes — mas talvez, não o suficiente. Ainda assim, gosto de dizer... que sempre foi por amor.

E não pela falta dele, mas pela presença. E muitas vezes, mesmo quando habita em nós um sentimento tão grandioso, também temos que deixá-lo ir. Não esperando que um dia volte — mas esperando que encontre, cada vez mais, dele.

Na minha falta de amadurecimento espiritual, inocentemente pensei que tudo duraria para sempre. Hoje, tenho certeza que sim — o amor dura. Talvez o restante das coisas, não. Inocentemente tentamos prender a nós aquilo que amamos. Mas o clichê bate forte. Nunca foi...

Eu não sei o que seria de mim sem isso. Sem tudo isso. Nada na minha vida já chegou perto de algo tão sublime, quando estamos falando de pessoas que não correm o nosso sangue. Mas dentro do meu coração, é como se bombeasse o seu.

Todos os seus defeitos. Todas as suas qualidades. Existem e ecoam num universo infindável dentro de mim. Por mais que eu corra, sempre serei encontrada. E talvez eu diga mais coisas cruéis — eu não tenho arrependimento nenhum. Nem das coisas cruéis.

Nem das suas. Nem das minhas. 

Eu precisava salvar a mim mesma, mesmo que isso significasse perder para sempre um pedaço da minha alma. 

Mas nada nunca foi perdido. Ela apenas está refletindo... para outro lugar. 

E quando o mundo todo acabar, podemos deixar tudo ser esquecido. 


Oblivion

Apenas deixo cair no esquecimento. Se você quebrar sua redoma de vido.


Deixe-me cair no esquecimento. Se você continuar consertando essa maldita redoma de vidro.

-

Não desejo — e nem quero — quebrar a redoma de vidro que você criou para se proteger. Nem quero que perceba a imensidão que existe dentro e fora disso tudo. Isso não me diz respeito.

Mentiras, suspeitas, decepções, vaidades. Isso não me diz respeito. E nem devo dizer como usá-las. Também não há nada que eu queira ouvir.

Em relação a mim, não há nada que possa ser feito. Não que eu ache que você pense muito sobre isso. Tanto faz o que aconteceu no passado. Eu não vou aparecer para salvar ninguém. Não vou surgir na frente de ninguém. Nem voltar para a vida de ninguém. Não é esse o meu papel. E não vou mais desempenhar papéis que me levam a lugar nenhum.

Mas desejo verdadeiramente, que você viva, da forma que desejar viver.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

É

Eu sempre odiei a solidão. Sempre odiei esses papéis que me foram dados. Sempre odiei o tom informal dos meus pensamentos. Mas, num certo domingo, eu percebi que tudo havia colapsado. Uma meditação que deu errado.

Esse é um texto de capítulos — e hoje, números —

são só números jogados à sorte. 


I - Amargo

Essa é uma história engraçada para os corações que dormem acordados. Deve ser por isso que sempre estou atormentada nos meus próprios pesadelos, enquanto, pela manhã, minha cabeça esquece o nome dos meus  demônios...

É amargo o colapso de uma identidade frágil. Destinada a tudo - soem os falsos alarmes: eu cheguei! - para nada. Viver é exaustivo, eu sei. Mas nessa história engraçada, você nunca se contentou. Um herói que nunca salvou ninguém. Mas você é destinada - a viver inteiramente na solidão que sempre abominou. 

Nada faz sentido quando tudo já está desmontado, não importa quantas vezes você resgate os milhões de pedaços seus. Essa continua não sendo você. Você já esqueceu tudo pela manhã. 

Viver pode ser amargo sob uma identidade frágil, fracassando e fracassando. E dói não é? Dói... E isso sempre vai voltar a você. É o seu padrão. Como um 8 também pode ser o infinito. Foram escolhas que você fez, foram os resultados que você premeditou. 

Tão consciente e não conseguiu perceber? A bomba já ia estourar. 


II.  Câmera

Condenada a salvar os outros e esquecer sempre de si mesma. Como era o nome daquela música mesmo? Reescreva, né? Aham... entendi... reescreva. Minha memória já não é mais a mesma, há um conflito entre dignidade e liberdade nesse futuro em que descobri.

Mais uma dessas, e a máquina vai quebrar. 

O que se pode fazer com uma câmera que já não tira mais fotografias? Não adianta puxar pela memória. Está danificada. Infelizmente, não conseguiu salvar nada.

Como posso dar chaves para um prisioneiro sem correntes? O que diabos está passando na sua cabeça? Isso é só mais um colapso de outra identidade frágil. 

É só mais um enigma sobre os medos escaldados na sua alma. Não importa o quanto você reescreva, sempre houve a pressa em apagá-los. 


III.  Pressão. 

Um lago negro. Sombrio... Paraíso sombrio. Perpetuou as boas memórias que para sempre habitarão em você. Não vou tornar a dizer o óbvio. Tic-tac... tic-tac... O tempo apenas continua passando.

Mais uma vez estão chamando por você. Mas faz muito barulho para você conseguir ouvir. Você já está muito mergulhada em camadas invisíveis, que nunca foram projetadas para te proteger. Sempre foram fugas. E todos esses caminhos te trouxeram de volta para onde mesmo? Ah sim...

Para você.

Nessa pressão, encurralada num funil. Eu ouvia seus gritos: Não quero que seja feliz. Isso não é um colapso. Tudo já desmoronou. Nesse jogo de xadrez, você já perdeu e esqueceu as estratégias há muito tempo. 

Sem compaixão. Aqui não falamos mais de amor.

Não é querendo provocar, mas... Já ouviu falar sobre amores líquidos? É que eu acabei lembrando de como você veio tentando agarrar o amor. Eu não lembro — bom, pelo menos nunca ouvi falar — de alguém que tenha conseguido segurar água.

IV. Labirinto. 

O Eco que ressoa. A alma que escuta. O coração que demanda. O corpo que sente. E a mente... um labirinto. 

Nesse labirinto, a busca por respostas te deixou frente a frente com um paredão branco. E você ouviu de uma consciência muito sábia:

Não há resposta aqui. 

O labirinto não exige ser desvendado. Mas dentro dele existem coisas a serem perseguidas. Você pode escolher o seu prêmio, mas só pode sair com um. Esse continua sendo um jogo com poucos vencedores. 

Desistir também pode ser uma vitória. 

Nessa história engraçada. Não precisamos de heróis. Continua existindo a opção de desistir de uma luta perdida. Nos seus dias menos sóbrios. Sua mente sussurrou... você vai colapsar. Colapsar... a maquina vai ruir. Ou se salvar, basta você decidir. Mas a escolha nunca foi feita. 

TicTac...TicTac...TicTac...

Até porque, não há mais nada aqui. Nada para ser encontrado ou buscado. Sua própria mente te jogou fora do quarto escuro. Você nunca acendeu a luz, estava com medo de ver o que? 

Não tinha nada.

V. Quebra-Cabeça

A vaidade das escolhas fáceis te levou a duvidas maçantes. Nada disso importa no final. Você conseguiu todas suas respostas. Terminar todo essa quebra-cabeça te trouxe algum tipo de satisfação?

Destrua-o. 

A raiva emerge. Grita. Arrasta. Nada estava bem. Quando você foi embora e me deixou trancada. Nada ficou bem. Muitos segredos não podem permanecer trancados. Segredos difíceis de ouvir. De digerir. Que doíam no seu âmago. E a raiva emerge. 

Perdão... Por quem? Cartas ao sol? Escorpião? Cartas em branco? Algum desses importa no final? 

O doce sabor de ser medíocre e não ter que se perder nada. A doce insolência da ignorância. Eu queria ser um poço de nada. Mas essa tristeza me puxa e me arrasta em direção ao abismo. De volta ao quarto escuro. 

Onde todos vocês querem o meu maldito bem. 

 Essa parede branca vai esmagar todos seus sentimentos. 

Não há nada.

Você montou um quebra-cabeça totalmente em branco.


VI. É

Até hoje eu me pergunto, nessa história engraçada. Onde você estava esse tempo inteiro. Para no fim, me dizer:

É.

E o que foi feito esse tempo inteiro? Castelos de areia levados por ondas? Nunca existiu um problema aqui, que não tenha sido eu mesma quem criou? O que deveria ser mostrado ou aprendido? Nada? 

Me escancarar para um vazio branco, sábio. Sólido. E me jogar essa palavra: nada. Não há perdão? Não há rancor. Remorso, ódio. Toda essa violência, sempre foi direcionada para mim ? É um declive. Uma tragédia. É a maior comédia que eu já vi ser escrita. 

Amor é agir. 

Mesmo que exista um mundo ideal e irreal. Ele não vai me preencher. E, covardemente, eu tentei fugir do que eu mais tentei agarrar: A realidade crua. Apenas é, você só precisava aceitar. 

Nessa história engraçada. Cheia de quadros em brancos, casas vazias. Memórias. Respostas incompreendidas. Existe um mundo. Uma imensidão branca, não para que percebas nada. Não para que sintas nada. Apenas para...

Ser.


Para Natália. 

Uma meditação que deu certo.

segunda-feira, 31 de março de 2025

A magica de mudar uma vida

Eu preciso tanto de você,

mas preciso digerir bem essa ideia. 


As vezes só preciso ir embora,

como muitas vezes o fiz, 

e como muitas vezes eu só fugi de tudo.


A verdade é que eu não preciso de nada.

Mas também preciso digerir essa ideia.


Porque, sinceramente... eu gosto de precisar de você... 

e gosto de dizer isso de um jeito não apaixonado. 

Mas despretensioso, casual.

É só a verdade.


Você não é um segredo,

Eu quero gritar aos céus que meu mundo todo pode ruir.

Que todos meus planos podem dar errado...

E eu não vou me sentir triste

porque eu conheci você.


É uma das coisas mais preciosas que eu quero manter no meu coração.


Para sempre, como uma boa memória.

Imutável.


Você é a mágica de mudar uma vida,

sem mudar nada do lugar.


Eu não preciso de nada no final das contas.

Ninguém precisa...

Isso é só um desabafo. 


E a beleza reside no não precisar.

...eu nunca vou fugir disso. 

sexta-feira, 7 de março de 2025

O outro lado

Quaisquer que fossem as circunstâncias...

Minha alma conhece o outro lado.


Eu jamais esqueceria, 

o céu em vidro e as estradas coloridas.

Eu jamais

esqueceria. 


Porra cara


Quaisquer que fossem as circunstâncias, 

eu teria te perdoado. 

Nunca para ser tarde demais... 


porra 


Eu queria tanto estar do outro lado.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Leve

Eu te daria todo o meu amor,

Para que você o leve. 

Até longe dos meus olhos.


Eu não acredito mais, 

em palavras bonitas. 

E nos gestos ensaiados. 


Mas eu te daria todo esse amor, 

Para que você leve...

Embora com você.


Todas as coincidências

Escondidas de nós

Escancaradas em uma faixa de tempo.


Eu te darei o amor

Que você merece sob as minhas garras

E o guarde. E o leve. 


E que pese

Em sua memória

Tudo o que não pudemos ser.

Mas que ainda seja... leve.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Peça por Peça

Não sobrou nada, 

ninguém para culpar. 


Ninguém para odiar, 

nem para amar. 


Ninguém para pensar pela manhã,

nem pela noite. 


Estou sozinha com um quebra cabeça,

Não posso selvagemente destruí-lo. 

Só me restou montá-lo. 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Lá por fora

Expectativas e passos frustrados, lado a lado...

No fim do dia... sonhos são pedaços tão abaláveis de nós mesmos. 


O amor está tão fora de moda, 

e isso tem se tornado a minha ruína. 


Trevas e calabouços, nada disso é real. 

Estou rodeada por campos de flores e me sinto triste. 


Eu abro a porta para os meus demônios saírem, 

mas eles sempre querem  fazer as pazes. 


Esse é um caminho que me faz sentir vivo. 

...entre o que está por vir e só viver. 


Droga, eu estou tão fora de moda.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Escorpião

(es·cor·pi·ão)
substantivo masculino
Origem etimológica:latim scorpio, -onis.

Esse é um texto com 7 capítulos, por vários motivos esse número foi escolhido. Iniciei esse texto no dia 20 de abril de 2024 às 21:17. Cartas ao sol foi escrito em 22 de abril de 2021.

I. A sinceridade do vazio.

Algumas vezes nada precisa ser dito para um começo ou um final. Algumas vezes o amor é inocente nos jogos do ego, e a memória pode facilmente ser traída. E no silêncio de palavras não ditas, deitamos nossos corpos sobre a verdade de quem somos. 

Nos deparamos com um vazio. E fragilmente tentamos separar a dualidade de nossos sentimentos para refazer o passado. E mesmo assim, é possível inconscientemente encontrar um tipo de sinceridade interior. Sobre o que esse vazio pode dizer a respeito de nós mesmos. 

E na saudade de nós mesmos, o vazio implica em atitudes cruéis. Veladas por atos secretos e afoitos, uma tentativa fútil de mudar a realidade por meras distrações. Distrações essas que podem mascarar a verdade em desejos reprimidos, falsas esperanças e um sentimento depreciativo. 

Na sinceridade do vazio, encontra-se um limbo de repetições. Um loop de hábitos criados para exaustivamente nos enganar desse buraco. Que nunca engana, apenas camufla e infla várias camadas de nossas personalidades. 

Até que se cria uma caminho sem volta. Uma dor tão segura sobre quem se ser, um comodismo tão fácil e tangível. Passa a ser difícil resistir, mesmo que essas escolhas possam ser tão cruéis. Mas o vazio criava até forma humana para somente dizer que o mundo também era cruel, e nunca haveria momentos - de fato - acolhedores. 

E mesmo após dias bons, no fim da noite... Quando devíamos nos recolher, ouve-se o vazio sussurrar...  e outra vez se arruinava. A solidão que se formava, não poderia se formar. Mas formou, e ainda solidificou todos esses pensamentos incessantes para perpetuar a melhor mentira bem contada.

Aquela que você acreditaria. 

Mas acreditaria tão forte, a ponto de se tornar um escárnio. E todas as vezes que o vazio chamasse, não ouviria nunca mais a voz da consciência, pois já estaria mergulhado em águas profundas, para que não tivesse que ouvir a sinceridade do vazio, e para sempre pudesse se sentir feliz. 

Uma felicidade frígida. 

Facilmente substituída por qualquer outra distração. E quando tudo ficasse silencioso demais, poderia desabar e desabafar sobre tudo. Sem o limite das palavras, pois não conhece o peso delas. Nem como as usar. E seria muito mais fácil fugir, do que lidar com coisas sinceras.


II. O lamento do coração. 

Poderia um anjo cair e ruir, mas continuar a ser bom? Poderia um anjo abraçar sua escuridão e encontrar um caminho entre a destruição e a paz? Um coração atormentado, preso em sonhos intermináveis...poderia encontrar perdão?

Poderia um dia se perdoar?

O lamento de um coração não é sobre uma tristeza que não passa. É uma sensação que arrebata todas as outras. E quando se escuta falar sobre... já se está muito distante para perceber. É um barulho sem som, uma dor que não dói. Uma escuridão que não assusta. 

Não chamaria de vazio... Mas chamaria de cheio. A sinceridade do vazio - as vezes - reconforta. O lamento do coração não. É um querer sentir tão frágil, tão escasso. Tão preguiçoso. Um pensamento obstinado e obsessivo... intruso. Não tem nada a ver com a morte. Mas com querer viver. Não tem nada a ver com ser capaz. Mas com ser qualquer coisa. 

É um professor exigente. 

Um lamento tão profundo. Uma vergonha tão arrebatadora. E imperceptível. O lamento de um coração não entra em conflito. Qual o preço a ser pago para se purificar... ou amor é somente para os fortes. 

Eu poderia desistir e continuar a ser bom? 

Ou seria outro pecado indelével? 

III. O Aprisionamento da alma. 

(...)

IV. Dualidade e semelhanças. 

E quando se encontraram. Deram tão certo como o céu e a terra. Como o dia e a noite. Um amontado de mistérios que logo seriam resolvidos - pela singela existência um do outro. O destino seria tão perfeito, ou um feito amaldiçoador. 

Teria sido tudo coincidência, ou apenas um teatro. Seria uma cópia do original ou uma vontade reprimida de reproduzir o outro. Estaria tão perplexo pela outra existência, a ponto de deseja-la incompreendidamente. 

E o tempo passaria a reproduzir as respostas que nunca haviam sido feitas no passado?

O Amor não seria imprudente. Mas seria insuficiente para salvar qualquer laço. E somente a morte traria o perdão que tanto foi ansiado... Até que perdesse todo o sentido. 

Eu não quero mais, repetiria.

E assim o seria. 

V. Redenção dos espíritos menores. 

O amor cura e se deixará ser curada?

Os via correr pelo mar, sorrisos e todos os tipos de brincadeiras. Não os invejou, mas desejou ser como eles de novo. O dia parecia não ter fim e seu pensamento ressignificava outras memórias, e no horizonte já se via distante. Mas não com saudade, não com apreensão. Ja havia perdido todas as chances, não precisava mais tentar. 

Será que um dia será digna? 

Talvez não tenha essa resposta. 

Hoje, distante. Experimentando um tipo de solidão tranquila, a solidão de ser só sua. Quis encontrar a mesma sintonia. Já faz alguns anos... que queria uma chance. 

Poderia um anjo guiar um coração atormentado? Para a sua redenção? Queria encontrar alguém tão parecido com seu coração, que não tenha medo da verdade. Que não desista... 


VI. Mentiras vaidosas. 

As escolhas feitas de mãos vazias, agora estão cheias de culpa. 

Não conhecemos o coração dos outros... não podemos criar conclusões sobre a dor de ser cada um. Mesmo que algumas situações pareçam óbvias, mentiras envenenam a certeza.

O lamento de um coração não entra em conflito com a sinceridade do vazio. A verdade liberta. A mentira cria dualidades e caminhos que não se pode percorrer...

Não sem a certeza. 

Mas a incerteza chega, e quando vens. Vens para destruir, dilacerar qualquer sentimento. O abismo grita, o vazio se afasta. Está cheio novamente... e precisa esvaziar. Precisa de qualquer motivo para se agarrar a realidade, antes que por um fio... tudo se vá.

E é tão fácil se deixar ir.

Como se o mundo não mais importasse. Nada de diferente poderia ser feito. E ao mesmo tempo pode ser feito de tudo. Porque uma vez o vazio sussurrou... nas noites em que não conseguia dormir, e tinhas a mente atormentada. 

O perdão não pode ser vazio. Precisa ser sempre completo, não pode existir brechas. Tem de ocorrer em um todo, para que em sua totalidade supere a decepção. Algumas vezes nada precisa ser dito, não precisa de bons motivos para se abandonar boas memórias, se essas já estão envenenadas. 

Não se pode criar certezas cruéis sobre os outros. E jamais me atreveria a escrever - não de novo - sobre o coração de outra pessoa.

VII. Partidas.

Nunca é muito tarde para se dar uma nova chance. Não é necessário alarde, ou qualquer brutalidade do sentimento. Não é mais preciso se pensar demais, ou adivinhar todos os motivos. 

A natureza do escorpião é essa. E ninguém pode mudá-la. 


Para Cássia. Essa e várias outras.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Assim como

Quando canções parecem sentimentos antigos.

Eu entendo...

não podemos forçar nostalgias internas.

Mesmo que seja familiar demais. 


Eu lembro como era olhar o mar pela primeira vez,

assim como a felicidade.

Algumas vezes vai se perdendo...

para que não perca o seu significado. 


Notícias ruins estão por todas as partes. 

Mas eu queria abrir um pouco meu coração

E me dar uma chance

De eu mesmo me perdoar. 


Um poço inesgotável de cansaço

Tentativas remediadas

Assim como a felicidade 

Eu queria que o amor não se perdesse. 


Mesmo que situações amarguem meus mares

Eu queria ser um repouso 


Não um lago negro, 

movido por decepções. 


Eu queria um momento. 

Assim como o amor

deixar marcas que não se perdem.

sábado, 4 de novembro de 2023

Quarto escuro

Eu poderia entregar meu coração, 

mas é só um pedaço de carne descartável. 

Minha alma não está límpida, 

todo meu espirito está acabado. 


Fantasias bobas. 

Preso em sonhos intermináveis.

Com medo do amanhã, 

ausente de tudo. 


A liberdade é a ilusão em que eu preciso me ludibriar. 

Minha mente é um quarto escuro. 

E não preciso me libertar...


Eu não preciso alimentar mais mentiras. 


Descalça. Despida. 

E mais uma vez sozinha no meio de olhos atormentados. 


Descalça... exposta mais uma vez nesse frio. 

E quando minhas mãos o tocam, 

eu sei que preciso deixar vaguear... 

andando distante,

de qualquer incerteza que me cerque. 


Descalça... 

Dizer a verdade vai deixa-los mais preparados? 

Ou apenas afugentados de suas próprias conclusões?


Nesse quarto escuro, 

eu vejo sorrisos... que me dizem o que fazer. 

Eles só querem o meu bem.

Nesse quarto escuro

todos querem o meu bem...

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Mãos livres.

Coloque as mãos sobre…

Hoje vou te mostrar um pouco do azul. 

Coloque as mãos por dentro. 

Fecharemos os olhos em segredo, e eu vou te apresentar apenas o raso.


Estamos mergulhando em tolices. Enquanto seguro a respiração, consigo sentir suas vibrações. 

Você anseia por algo a mais? 


Seus dedos são uma mentira bem contada. Podemos fingir até o amanhecer, e tudo o que eu mais queria... era ouvir seu coração desabar. 


Não sou de muitas palavras. 

Mas podemos combinar alguns códigos, para que eu os repita suavemente. 


Coloque as mão sobre, 

eu vou dizer mais uma vez para você - se isso te levar a ficar mais sério.


 Pensamento graves rodeiam nossos corpos. 

Duplo sentido, e só Deus sabe o que isso possa significar. 


Enquanto o tempo ocupar nossos espaços. 


E tudo que poderíamos nos permitir, é nos separar. 

Para que possamos ter as mãos livres.

Olhos fixos no vazio, sem o constrangimento das palavras ditas erradas. 


Coloque as mãos sobre… Talvez eu não diga nada. 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Cartas ao sol

 Preciso confidenciar meus segredos, numa tonalidade que apenas, e só você... poderia ouvi-los. 


Eu andei pensando faz muito tempo, sobre assuntos que não remetiam a mim. Mas, talvez, fosse minha obrigação dize-los. Mas você sabe, eu não digo as coisas... apenas deixo que elas aconteçam. 

E esse foi meu maior erro.

Questionei por muito tempo suas dúvidas de como eu tive facilidade e frieza em atirar-me na solidão, na inconsistência e abandonar tudo que eu jurei manter por perto. Nesses momentos eu dizia a mim: Reescreva, reescreva, reescreva. Quase como uma religião. Depois de perceber o quão somos medíocres, eu pude lidar com a minha maior covardia. Mas isso... faz tanto tempo, você só percebeu pouco após, o que eu realmente guardava dentro de mim. 

Eu fui tão egoísta que realmente acreditei que você precisava ser "salva", mas quis que com seus próprios olhos você lidasse com seus problemas. Algumas pessoas só querem cometer suas maldades, sem que ninguém lhes diga nada, certo? No fundo eu era só mais uma pessoa fraca, com medo de falar sobre o elefante na sala. 

Não é só o mentiroso que queima a língua. 

Mas não estou aqui para dizer o quanto somos desprezíveis com quem esteve conosco. Ou o tanto de mentira que acumulamos no decorrer de nossas vidas. Eu realmente não penso que tenho de ser boa, não mais. Você muito menos se preocupa com isso, apenas com suas vaidades.



Então agora, vou te confidenciar as cartas ao sol.



Eu sempre experimentei a dor de ser uma pessoa fraca. E como eu lutei para que não fosse verdade. Manipulei minha realidade em uma fantasia boba. Mas havia uma confidente... havia alguém ali, para quem eu poderia contar todas as minhas fraquezas. Eu tinha forças para lidar comigo mesma, eu tinha alguém para sonhar essas fantasias bobas. Eu tinha uma confidente... isso me fazia tão bem. Minha confidente, em um mundo onde os prazeres são tão artificiais, quando pessoas são tão entediantes. Fazíamos o caos ser tão confortante. A bagunça ser tão acolhedora. Tudo estava tão fora do controle e ocasionava de ser mais divertido. 

Mas fantasias no fim do dia são só
fantasias.

Minha confidente, eu quis ser tanto igual a você. Eu queria ser forte, eu queria levar a vida com a mesma leveza que você. Você me acolhia e me entendia como ninguém nunca havia feito por mim. E não havia tristeza se você estivesse por perto, porque você transformava tudo em bons momentos, você fazia até festa no seu próprio sofrimento. A sua inconsequência com o mundo me enlouquecia... eu também queria ser assim. 

Você me salvou

Mas o mundo nos envelhece, enquanto ele permanece o mesmo. Eu odiava ver você triste, odiava ver seu sofrimento. Você não merecia o que as pessoas fizeram com você. Eu te protegi, eu briguei por você, eu te defendi. O mundo não merecia você. Fiz uma promessa que um dia, eu te livraria de tudo isso, iríamos juntas até o fim. 

Fantasias no fim do dia são só
fantasias.

Alimenta fantasia. Oh céus... alimentamos tantas fantasias. Que a realidade se tornou difícil demais para suportar. Caminhamos por lugares tão diferentes, absorvemos tantas coisas. E no fim, eu não pude me tornar uma pessoa forte. Nem por você, nem por mim. O mundo começou destruir nossas fantasias, o mundo começou a se tornar sombrio demais. Mas você ainda estava comigo, e só isso importava. A nossa reciprocidade era o que nos fazia firmes. Eu continuei com a minha promessa, quando tudo mudasse. Eu te salvaria de tudo, o mundo não merecia você. Eu queria te dar um lugar acolhedor, longe da dor de ser quem você é. Seu coração não merecia nada do que os homens bons tramaram. Você não merecia a insegurança das pessoas, os demônios familiares, a traição dos próximos... você era a melhor pessoa que eu conhecia. 

Fantasias no fim do dia são só
fantasias.

Mas a vida enraizou as dívidas que fizemos por não vivermos na realidade, os demônios corromperam o melhor de nós. Vaidades e fantasias. Tudo foi ao pó. Você não era mais quem eu conhecia. O mundo já havia consumido o melhor de você. E eu não vi você mudar, porque dentro de mim eu continuava sendo uma pessoa fraca... enquanto você sofria, eu sofria por ser quem eu sou. Dividimos por tanto tempo a mesma fantasia, que  não percebemos - já havíamos criado sonhos diferentes. 

Hoje então deixo esta carta ao sol, para que ilumine seus dias até o fim, te dê forças para que seja feliz e encontre seu próprio caminho. Pois vou partir, eu prometi a mim mesma, que as memórias boas sempre irão habitar meu paraíso sombrio, enquanto eu me distancio, assim posso manter minha promessa de caminhar com você até o fim, nas minhas melhores lembranças. 

A solidão é o que faz de mim o que sou agora, e hoje posso dizer que sou forte, depois de perder todos a quem eu já amei.

É uma pena, realmente é uma pena minha confidente. Tudo começou com uma carta. E acabou com outra. Mas, é nessa fantasia, que lhe pergunto, foi você ou eu quem escreveu as cartas ao sol? Cartas ao sol é sobre meu ponto de vista, ou sobre o seu?

Não há pessoas erradas. Isso é apenas outra fantasia.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Somos vítimas de nós mesmos

Em mundos infames e delírios complacentes, nossas escolhas cavam nossos túmulos.
Mas eram boas? 
As intenções?
 As nossas intenções eram boas? 
Podemos falar que fizemos tudo por amor? 


Será que eu poderia ser perdoado?

Sou apenas uma vítima de jogos entediantes 
Apenas uma peça descartável num prelúdio incessante de acasos. 



Convidar-te-ia para passear nesse lago negro, mas infelizmente todos os ingressos foram vendidos... eu demorei demais para decidir-me. Sou minha própria vítima pessoal, da mesma solidão que me visitou e estacou uma faca como morada dentro de mim, apenas para nunca deixar-me esquecer: 

Esse lago negro, é tudo o que eu sou agora. 

Não há saídas
Nem mensagens impactantes
Eu apenas perpetuei um paraíso sombrio 
que para sempre habitará em mim
Perto de boas memórias 
para manter intacto
tudo que eu já fui um dia.

Até a hora da minha morte

Não me sobraram dias quentes, mas uma melancolia ardente de tudo o que sobrou. Vejo um deserto frio, este que minha mente ansiou, e, a cada ...