Num bocado de chuva,
um interminável vai e vem.
Meus olhos fitam essa movimentação,
dia após dia.
Talvez a felicidade esteja demais,
sentimentos que explodem.
Depois de toda explosão
me resta um bocado de chuva.
A tristeza nunca é demais.
Num bocado de chuva,
um interminável vai e vem.
Meus olhos fitam essa movimentação,
dia após dia.
Talvez a felicidade esteja demais,
sentimentos que explodem.
Depois de toda explosão
me resta um bocado de chuva.
A tristeza nunca é demais.
Quando não houver mais nada a ser dito, o silêncio - sim, de fato - irá responder todas as perguntas.
Cada um será responsável por preencher suas memórias falsas.
Se hoje atrevo a me indispor sobre mágoas e remorsos passados.
Já os faço com o coração seco.
Manchado.
Não que o amor tenha ido embora. Mas também não há resquícios dele.
Pode ser que o tesouro ainda exista e vá ser encontrado.
Mas gosto de pensar que não por mim.
Nem por você.
Mas para aqueles que ainda acreditam,
que do amor podem vir riquezas.
E deixarei morrer mais uma tola esperança,
para que eu permaneça viva em meus princípios.
Que nada me valem hoje em dia.
Mas que não me ferem.
Mas sustentam.
E não haverá palavras sinceras e macias.
Pois o tempo as enferrujou.
E há quem acredite que meu coração amargou.
E talvez o tenha.
Talvez meu espírito só tenha se enchido de paz,
que desculpas e ternuras não me toquem igual antes.
E a solidão me seja mais bem vida,
do que problemas cotidianos.
A solidão me trouxe a sabedoria, do que eu nunca quis enxergar.
E depois de ver quem eu me tornei.
Não tornarei a fechar meus olhos.
E há quem diga que eu amarguei,
por ter amado um pouco exagerado demais.
Eu me vi sozinho
em meio a outros solitários...
E esse mesmo sonho se repete.
Pés alertas.
É só mais uma queda...
para você
e para mim.
Há um sonho familiar,
onde o sol sempre brilha no amanhã.
Mas o hoje está destruído.
Quando o amanhã chega para as pessoas como nós?
Pés alertas.
Não há um nome que podemos chamar.
Mesmo que o mundo todo goste de repetir.
Quando esse sonho vai se despedaçar?
Eu me vi sozinho...
em meios a tantos outros.
Em um momento muito singular,
o amor desperta
talvez... muito inoportuno
ou não...
talvez...
no tempo das coisas de darem certo...
A raiva às vezes
pode ser um balão azul.
Eu costumava pensar assim
enquanto deixava
todos eles irem embora.
Eu poderia
ter estourado
todas as bexigas.
Mas fiquei apenas assistindo
tudo aquilo
que eu soltei.
Não me sobraram dias quentes, mas uma melancolia ardente de tudo o que sobrou. Vejo um deserto frio, este que minha mente ansiou, e a cada vez mais vou me afastando... Em direção ao mesmo calabouço que tranquei todos esses disfarces.
Mas eu preciso de um deles para o dia a dia.
Por mais que eu grite todos os meus tormentos, não quero que ninguém me estenda a mão, minha mente continua a mesma, repleta de escolhas erradas, traçando caminhos que não são meus. Diluindo todo dia mais um pouco desse veneno, acariciando esse limbo que é a única coisa que me completa.
Um coração calmo. Vencido pelo luto de não mais lutar. Deixado para depois. Vivendo apenas no que se pode fazer. Sorrindo despretensiosamente para todas as possibilidades que podem te salvar.
Mas nenhuma vai.
Não sei o que fazer quando me sobram muitas horas. E, até a minha morte, parece que é só isso que eu tenho: muitas horas...
Numa busca incessante por sentido, depara-se com um tipo de amor irracional. Daqueles que não se medem pelo esforço ou por uma singularidade em especial. Lembro-me de ser acometida por uma tristeza enorme, e a fuga dela pareceu-me tão correta.
E toda fuga me cobra com juros altíssimos. Estou meio cansada de olhar com os olhos traídos ou de dizer intermináveis adeus. Não quero me culpar por todos os erros, mas fugir da tristeza é um risco enorme. Abrir a porta para desconhecidos entrarem sob a promessa de permanecer pode ser a maior prisão, disfarçada de uma tristeza que não quer ser deixada.
É uma perda. É um refúgio. Quaisquer que fossem os motivos, todos são banais neste momento. E não me importa o quê ou quem: nada realmente afasta essa sensação inegável que me acomete todos os dias: a de existir.
A espada cravada em um coração.
O coração representa o amor ardente, vivo, pulsante.
A espada a dor, o sacrifício, o rompimento. Mas também, a coragem.
-
A tradução de "oblivion" para o português é esquecimento. "Oblivion" também pode se referir a um estado de completo esquecimento, um lugar ou condição de estar esquecido, ou ainda, o ato de esquecer.
A sua punição é um único dia de paz dentro da sua mente.
Numa redoma de vidro, você pisa delicadamente passos exaustos, numa passividade estonteante. Tudo está devidamente organizado, prateleira por prateleira, caixa por caixa. Então, por que quer destruir tudo?
Cheiro de flores e ervas. Magias e velas. Quer abafar o cheiro dos pedaços seus em decomposição? Seu corpo está morrendo, sua mente está atrofiando. O sofrimento é seu aliado ou você o trancou junto aos segredos sujos?
Você dança e dança dentro da redoma de vidro. E o mundo gira em torno do caos que você nos proporcionou. Vítima das próprias escolhas, dos próprios desejos. O mundo não lhe vê, e você não vê o mundo. As pessoas são hipócritas e vaidosas. E eis que a bruxa vira vítima no próprio caldeirão, banhada nos próprios pecados, cansada das próprias opiniões.
A redoma de vidro racha, desesperadamente precisa de um reparo. Ela não pode cair, ela não pode trincar, ela precisa se manter - é o meu destino, eu já o aceitei. Eu já aceitei - você repete, e repete, e repete. Você aceitou quem? Esse estranho que dorme e acorda ao seu lado. Ou o seu destino?
Nessa floresta escura em que você passeia, suas dores e tragédias são apenas brincadeiras para os espíritos maiores. Os verdadeiros vilões são impiedosos. Não estão escondidos do passado, culpando a sociedade ou esse mundo falido que estamos vivendo. Você não é bruxa, nem má. Nem odeia o mundo tanto assim.
É só um espírito menor, com o brilho ofuscado. Enraizou tantas mentiras, que não consegue mais sair do mundo da fantasia. Criticou tanto o que te gerou, mas já não sabe mais viver na verdade. Pode ir embora se quiser, eu estou aqui apenas para machucar e cutucar essa ferida que existe no seu coração.
Porque eu te vejo, com os olhos que você não vê o mundo. E ninguém amará você. Todos querem sempre a mesma coisa, te prender, roubar tua liberdade. Todo mundo nesse mundo é igual. Você não precisa de nenhum deles.
Mas eu te vejo. Transparente como a água. Límpida como um rio.
Cubra seus olhos, tampe seus ouvidos. Não são demônios que vêm te atormentar na escuridão do seu quarto. São pensamentos egoístas que flutuam na tua mente. Traições e mentiras, mecanismos de defesas para sobreviver. Manipulações voláteis para sempre ser a vítima de si mesma.
Não quer ouvir a verdade ou assumir seus erros? Não quer fazer um simples pedido de desculpas? Quer se apropriar da personalidade, do amor, de tudo. Você quer sugar toda a beleza que havia aqui para você.
O todo onipresente amor, não é tão presente assim. Sua cabeça é um caos, um limbo existencial. Suas dores gritam e performam já fora de você. Seus traumas já tomaram conta. Você é uma marionete tentando se encaixar futilmente num mundo que nunca te coube - e que nunca caberá.
É cruel viver numa redoma de vidro construída por você. O que é cruel? Isso é só uma questão de ponto de vista não é? Para mim, a mentira é cruel - e crucial - para destruir laços verdadeiros. Para você, cruel é o quê?
Eu sou cruel? Devo ter sido. Em algum do momento do passado, eu gostaria de ter sido muito mais. Na mesma medida em que foi comigo.
Eu sei que não é sobre isso.
Eu sei que é sobre não saber lidar com o silêncio e o caos.
Um pedaço meu e seu
Mas não é hora para isso. Vamos voltar anos atrás.
Quero que se imagine criança. Segure minha mão — eu prometo não soltar quando coisas aterrorizantes aparecerem. E podemos seguir juntas até o final.
Pegue um pedaço da minha alma. No momento, é a única coisa que eu tenho para oferecer nos momentos difíceis, quando a vida apertar... Minha mão estará estendida, talvez meus olhos estejam apagados, e no íntimo não me dê vontade alguma de te dizer lindas mentiras. Mas isso continua sendo sobre amor.
Quero que imagine um lugar cheio de filhotes — podem ser do que você quiser, de qualquer animal que desejar, da quantidade que preferir. Eles estão em um local fechado, e vamos ter que entrar lá dentro. Mas não pode entrar.
Entramos rindo.
Não há problemas aqui. Só há filhotes. Quero que imagine a maior quantidade de filhotes que conseguir. Quero que pense no amor e na felicidade de poder estar ali, com criaturas puras, longe de qualquer perigo real. Pode me ignorar. Sei que é difícil, mas consegue imaginar por muito tempo? E esquecer completamente desse texto?
Podemos ficar bastante tempo aqui. Estou olhando a janela, enquanto vejo você bagunçar os coitados dos filhotes. Ninguém está vindo. Podemos ficar sem nos preocupar. E se alguém aparecer, vão fazer o quê? Bater na gente?
A gente corre!
Leva um filhote ainda, pra eles aprenderem a não ficar batendo nos outros. Mas roubar é errado. A gente devolve o bichinho quando ninguém estiver olhando. Apenas se divirta. Eu continuo olhando pela janela... não tem ninguém vindo.
Se der a hora de ir, apenas vamos. Se escurecer, apenas ligamos as lanternas. Somos crianças? Somos. Mas isso algum dia nos impediu de fazer algo? Apenas se divirta.
Agora, quero que se imagine em uma sorveteria. Pode escolher à vontade.
Você misturou muitas cores e ficou tudo marrom. Agora está rindo — e pior, misturou muitos sabores ruins. Inacreditável. Esse sorvete deve estar uma porcaria.
Somos crianças. Isso não importa tanto. Ninguém brigou — ainda — com a gente. Sim, eu gosto de cobertura de tutti-frutti. É bom, poxa. E se a gente sair correndo na hora de pagar? E se a gente só sair andando?
Ah... se pararem a gente? A gente volta e paga. E se faz de lesa, menina. Vão fazer o quê? Prender a gente?
Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei, deu tudo errado. Eu sei... vai ficar tudo bem. Isso tudo é coisa da sua cabeça. Vai ficar tudo bem. Eu tô aqui. Por incrível que pareça, vampiros não existem. Acredita nisso?
Eu sei. Eu sei que é difícil. Eu sei que ninguém vai entender. Eu sei que é difícil sobreviver a tudo isso. Eu sei que vão pensar que você é louca. Mas eu não acho isso. Eu nunca achei isso. O mundo não te vê, mas eu vejo.
Cada passo desmedido. Cada grito silencioso. Eu sei que arranha o interior da sua alma. Sei que o mundo é um lugar cruel. Sei que existem coisas que eu não faço ideia. Mas vão te amar. Vão gostar de você. Mas você também precisa... tentar.
Você não precisa se tornar nada. Você não precisa ser nada. E se quiser ser caos, seja. Se quiser ser silêncio, seja. Você não precisa aceitar nada. Você não precisa de nada. Você já tem tudo.
Tem um coração muito machucado que reflete. Mas não um coração ruim. Não um coração que não mereça amor ou ser amado. Que não mereça perdão ou respeito.
Este é o final. Só seguimos até aqui.
Espero que fique tudo bem com isso.
A Anarquia de existir.
Se, por ventura, algum mal lhe ocorresse, e a cura estivesse ao cruzar mares e céus, meus pés já estariam cansados. Não foram poucas as vezes — mas talvez, não o suficiente. Ainda assim, gosto de dizer... que sempre foi por amor.
E não pela falta dele, mas pela presença. E muitas vezes, mesmo quando habita em nós um sentimento tão grandioso, também temos que deixá-lo ir. Não esperando que um dia volte — mas esperando que encontre, cada vez mais, dele.
Na minha falta de amadurecimento espiritual, inocentemente pensei que tudo duraria para sempre. Hoje, tenho certeza que sim — o amor dura. Talvez o restante das coisas, não. Inocentemente tentamos prender a nós aquilo que amamos. Mas o clichê bate forte. Nunca foi...
Eu não sei o que seria de mim sem isso. Sem tudo isso. Nada na minha vida já chegou perto de algo tão sublime, quando estamos falando de pessoas que não correm o nosso sangue. Mas dentro do meu coração, é como se bombeasse o seu.
Todos os seus defeitos. Todas as suas qualidades. Existem e ecoam num universo infindável dentro de mim. Por mais que eu corra, sempre serei encontrada. E talvez eu diga mais coisas cruéis — eu não tenho arrependimento nenhum. Nem das coisas cruéis.
Nem das suas. Nem das minhas.
Eu precisava salvar a mim mesma, mesmo que isso significasse perder para sempre um pedaço da minha alma.
Mas nada nunca foi perdido. Ela apenas está refletindo... para outro lugar.
E quando o mundo todo acabar, podemos deixar tudo ser esquecido.
Oblivion
Apenas deixo cair no esquecimento. Se você quebrar sua redoma de vido.
Deixe-me cair no esquecimento. Se você continuar consertando essa maldita redoma de vidro.
-
Não desejo — e nem quero — quebrar a redoma de vidro que você criou para se proteger. Nem quero que perceba a imensidão que existe dentro e fora disso tudo. Isso não me diz respeito.
Mentiras, suspeitas, decepções, vaidades. Isso não me diz respeito. E nem devo dizer como usá-las. Também não há nada que eu queira ouvir.
Em relação a mim, não há nada que possa ser feito. Não que eu ache que você pense muito sobre isso. Tanto faz o que aconteceu no passado. Eu não vou aparecer para salvar ninguém. Não vou surgir na frente de ninguém. Nem voltar para a vida de ninguém. Não é esse o meu papel. E não vou mais desempenhar papéis que me levam a lugar nenhum.
Mas desejo verdadeiramente, que você viva, da forma que desejar viver.
Eu sempre odiei a solidão. Sempre odiei esses papéis que me foram dados. Sempre odiei o tom informal dos meus pensamentos. Mas, num certo domingo, eu percebi que tudo havia colapsado. Uma meditação que deu errado.
Esse é um texto de capítulos — e hoje, números —
são só números jogados à sorte.
I - Amargo
Essa é uma história engraçada para os corações que dormem acordados. Deve ser por isso que sempre estou atormentada nos meus próprios pesadelos, enquanto, pela manhã, minha cabeça esquece o nome dos meus demônios...
É amargo o colapso de uma identidade frágil. Destinada a tudo - soem os falsos alarmes: eu cheguei! - para nada. Viver é exaustivo, eu sei. Mas nessa história engraçada, você nunca se contentou. Um herói que nunca salvou ninguém. Mas você é destinada - a viver inteiramente na solidão que sempre abominou.
Nada faz sentido quando tudo já está desmontado, não importa quantas vezes você resgate os milhões de pedaços seus. Essa continua não sendo você. Você já esqueceu tudo pela manhã.
Viver pode ser amargo sob uma identidade frágil, fracassando e fracassando. E dói não é? Dói... E isso sempre vai voltar a você. É o seu padrão. Como um 8 também pode ser o infinito. Foram escolhas que você fez, foram os resultados que você premeditou.
Tão consciente e não conseguiu perceber? A bomba já ia estourar.
II. Câmera
Condenada a salvar os outros e esquecer sempre de si mesma. Como era o nome daquela música mesmo? Reescreva, né? Aham... entendi... reescreva. Minha memória já não é mais a mesma, há um conflito entre dignidade e liberdade nesse futuro em que descobri.
Mais uma dessas, e a máquina vai quebrar.
O que se pode fazer com uma câmera que já não tira mais fotografias? Não adianta puxar pela memória. Está danificada. Infelizmente, não conseguiu salvar nada.
Como posso dar chaves para um prisioneiro sem correntes? O que diabos está passando na sua cabeça? Isso é só mais um colapso de outra identidade frágil.
É só mais um enigma sobre os medos escaldados na sua alma. Não importa o quanto você reescreva, sempre houve a pressa em apagá-los.
III. Pressão.
Um lago negro. Sombrio... Paraíso sombrio. Perpetuou as boas memórias que para sempre habitarão em você. Não vou tornar a dizer o óbvio. Tic-tac... tic-tac... O tempo apenas continua passando.
Mais uma vez estão chamando por você. Mas faz muito barulho para você conseguir ouvir. Você já está muito mergulhada em camadas invisíveis, que nunca foram projetadas para te proteger. Sempre foram fugas. E todos esses caminhos te trouxeram de volta para onde mesmo? Ah sim...
Para você.
Nessa pressão, encurralada num funil. Eu ouvia seus gritos: Não quero que seja feliz. Isso não é um colapso. Tudo já desmoronou. Nesse jogo de xadrez, você já perdeu e esqueceu as estratégias há muito tempo.
Sem compaixão. Aqui não falamos mais de amor.
Não é querendo provocar, mas... Já ouviu falar sobre amores líquidos? É que eu acabei lembrando de como você veio tentando agarrar o amor. Eu não lembro — bom, pelo menos nunca ouvi falar — de alguém que tenha conseguido segurar água.
IV. Labirinto.
O Eco que ressoa. A alma que escuta. O coração que demanda. O corpo que sente. E a mente... um labirinto.
Nesse labirinto, a busca por respostas te deixou frente a frente com um paredão branco. E você ouviu de uma consciência muito sábia:
Não há resposta aqui.
O labirinto não exige ser desvendado. Mas dentro dele existem coisas a serem perseguidas. Você pode escolher o seu prêmio, mas só pode sair com um. Esse continua sendo um jogo com poucos vencedores.
Desistir também pode ser uma vitória.
Nessa história engraçada. Não precisamos de heróis. Continua existindo a opção de desistir de uma luta perdida. Nos seus dias menos sóbrios. Sua mente sussurrou... você vai colapsar. Colapsar... a maquina vai ruir. Ou se salvar, basta você decidir. Mas a escolha nunca foi feita.
TicTac...TicTac...TicTac...
Até porque, não há mais nada aqui. Nada para ser encontrado ou buscado. Sua própria mente te jogou fora do quarto escuro. Você nunca acendeu a luz, estava com medo de ver o que?
Não tinha nada.
V. Quebra-Cabeça
A vaidade das escolhas fáceis te levou a duvidas maçantes. Nada disso importa no final. Você conseguiu todas suas respostas. Terminar todo essa quebra-cabeça te trouxe algum tipo de satisfação?
Destrua-o.
A raiva emerge. Grita. Arrasta. Nada estava bem. Quando você foi embora e me deixou trancada. Nada ficou bem. Muitos segredos não podem permanecer trancados. Segredos difíceis de ouvir. De digerir. Que doíam no seu âmago. E a raiva emerge.
Perdão... Por quem? Cartas ao sol? Escorpião? Cartas em branco? Algum desses importa no final?
O doce sabor de ser medíocre e não ter que se perder nada. A doce insolência da ignorância. Eu queria ser um poço de nada. Mas essa tristeza me puxa e me arrasta em direção ao abismo. De volta ao quarto escuro.
Onde todos vocês querem o meu maldito bem.
Essa parede branca vai esmagar todos seus sentimentos.
Não há nada.
Você montou um quebra-cabeça totalmente em branco.
VI. É
Até hoje eu me pergunto, nessa história engraçada. Onde você estava esse tempo inteiro. Para no fim, me dizer:
É.
E o que foi feito esse tempo inteiro? Castelos de areia levados por ondas? Nunca existiu um problema aqui, que não tenha sido eu mesma quem criou? O que deveria ser mostrado ou aprendido? Nada?
Me escancarar para um vazio branco, sábio. Sólido. E me jogar essa palavra: nada. Não há perdão? Não há rancor. Remorso, ódio. Toda essa violência, sempre foi direcionada para mim ? É um declive. Uma tragédia. É a maior comédia que eu já vi ser escrita.
Amor é agir.
Mesmo que exista um mundo ideal e irreal. Ele não vai me preencher. E, covardemente, eu tentei fugir do que eu mais tentei agarrar: A realidade crua. Apenas é, você só precisava aceitar.
Nessa história engraçada. Cheia de quadros em brancos, casas vazias. Memórias. Respostas incompreendidas. Existe um mundo. Uma imensidão branca, não para que percebas nada. Não para que sintas nada. Apenas para...
Ser.
Para Natália.
Uma meditação que deu certo.
Eu preciso tanto de você,
mas preciso digerir bem essa ideia.
As vezes só preciso ir embora,
como muitas vezes o fiz,
e como muitas vezes eu só fugi de tudo.
A verdade é que eu não preciso de nada.
Mas também preciso digerir essa ideia.
Porque, sinceramente... eu gosto de precisar de você...
e gosto de dizer isso de um jeito não apaixonado.
Mas despretensioso, casual.
É só a verdade.
Você não é um segredo,
Eu quero gritar aos céus que meu mundo todo pode ruir.
Que todos meus planos podem dar errado...
E eu não vou me sentir triste
porque eu conheci você.
É uma das coisas mais preciosas que eu quero manter no meu coração.
Para sempre, como uma boa memória.
Imutável.
Você é a mágica de mudar uma vida,
sem mudar nada do lugar.
Eu não preciso de nada no final das contas.
Ninguém precisa...
Isso é só um desabafo.
E a beleza reside no não precisar.
...eu nunca vou fugir disso.
Quaisquer que fossem as circunstâncias...
Minha alma conhece o outro lado.
Eu jamais esqueceria,
o céu em vidro e as estradas coloridas.
Eu jamais
esqueceria.
Porra cara
Quaisquer que fossem as circunstâncias,
eu teria te perdoado.
Nunca para ser tarde demais...
porra
Eu queria tanto estar do outro lado.
Eu te daria todo o meu amor,
Para que você o leve.
em palavras bonitas.
E nos gestos ensaiados.
Mas eu te daria todo esse amor,
Para que você leve...
Embora com você.
Todas as coincidências
Escondidas de nós
Escancaradas em uma faixa de tempo.
Eu te darei o amor
Que você merece sob as minhas garras
E o guarde. E o leve.
E que pese
Em sua memória
Tudo o que não pudemos ser.
Mas que ainda seja... leve.
Não sobrou nada,
ninguém para culpar.
Ninguém para odiar,
nem para amar.
Ninguém para pensar pela manhã,
nem pela noite.
Estou sozinha com um quebra cabeça,
Não posso selvagemente destruí-lo.
Só me restou montá-lo.
Expectativas e passos frustrados, lado a lado...
No fim do dia... sonhos são pedaços tão abaláveis de nós mesmos.
O amor está tão fora de moda,
e isso tem se tornado a minha ruína.
Trevas e calabouços, nada disso é real.
Estou rodeada por campos de flores e me sinto triste.
Eu abro a porta para os meus demônios saírem,
mas eles sempre querem fazer as pazes.
Esse é um caminho que me faz sentir vivo.
...entre o que está por vir e só viver.
Droga, eu estou tão fora de moda.
Esse é um texto com 7 capítulos, por vários motivos esse número foi escolhido. Iniciei esse texto no dia 20 de abril de 2024 às 21:17. Cartas ao sol foi escrito em 22 de abril de 2021.
I. A sinceridade do vazio.
Algumas vezes nada precisa ser dito para um começo ou um final. Algumas vezes o amor é inocente nos jogos do ego, e a memória pode facilmente ser traída. E no silêncio de palavras não ditas, deitamos nossos corpos sobre a verdade de quem somos.
Nos deparamos com um vazio. E fragilmente tentamos separar a dualidade de nossos sentimentos para refazer o passado. E mesmo assim, é possível inconscientemente encontrar um tipo de sinceridade interior. Sobre o que esse vazio pode dizer a respeito de nós mesmos.
E na saudade de nós mesmos, o vazio implica em atitudes cruéis. Veladas por atos secretos e afoitos, uma tentativa fútil de mudar a realidade por meras distrações. Distrações essas que podem mascarar a verdade em desejos reprimidos, falsas esperanças e um sentimento depreciativo.
Na sinceridade do vazio, encontra-se um limbo de repetições. Um loop de hábitos criados para exaustivamente nos enganar desse buraco. Que nunca engana, apenas camufla e infla várias camadas de nossas personalidades.
Até que se cria uma caminho sem volta. Uma dor tão segura sobre quem se ser, um comodismo tão fácil e tangível. Passa a ser difícil resistir, mesmo que essas escolhas possam ser tão cruéis. Mas o vazio criava até forma humana para somente dizer que o mundo também era cruel, e nunca haveria momentos - de fato - acolhedores.
E mesmo após dias bons, no fim da noite... Quando devíamos nos recolher, ouve-se o vazio sussurrar... e outra vez se arruinava. A solidão que se formava, não poderia se formar. Mas formou, e ainda solidificou todos esses pensamentos incessantes para perpetuar a melhor mentira bem contada.
Aquela que você acreditaria.
Mas acreditaria tão forte, a ponto de se tornar um escárnio. E todas as vezes que o vazio chamasse, não ouviria nunca mais a voz da consciência, pois já estaria mergulhado em águas profundas, para que não tivesse que ouvir a sinceridade do vazio, e para sempre pudesse se sentir feliz.
Uma felicidade frígida.
Facilmente substituída por qualquer outra distração. E quando tudo ficasse silencioso demais, poderia desabar e desabafar sobre tudo. Sem o limite das palavras, pois não conhece o peso delas. Nem como as usar. E seria muito mais fácil fugir, do que lidar com coisas sinceras.
II. O lamento do coração.
Poderia um anjo cair e ruir, mas continuar a ser bom? Poderia um anjo abraçar sua escuridão e encontrar um caminho entre a destruição e a paz? Um coração atormentado, preso em sonhos intermináveis...poderia encontrar perdão?
Poderia um dia se perdoar?
O lamento de um coração não é sobre uma tristeza que não passa. É uma sensação que arrebata todas as outras. E quando se escuta falar sobre... já se está muito distante para perceber. É um barulho sem som, uma dor que não dói. Uma escuridão que não assusta.
Não chamaria de vazio... Mas chamaria de cheio. A sinceridade do vazio - as vezes - reconforta. O lamento do coração não. É um querer sentir tão frágil, tão escasso. Tão preguiçoso. Um pensamento obstinado e obsessivo... intruso. Não tem nada a ver com a morte. Mas com querer viver. Não tem nada a ver com ser capaz. Mas com ser qualquer coisa.
É um professor exigente.
Um lamento tão profundo. Uma vergonha tão arrebatadora. E imperceptível. O lamento de um coração não entra em conflito. Qual o preço a ser pago para se purificar... ou amor é somente para os fortes.
Eu poderia desistir e continuar a ser bom?
Ou seria outro pecado indelével?
III. O Aprisionamento da alma.
(...)
IV. Dualidade e semelhanças.
E quando se encontraram. Deram tão certo como o céu e a terra. Como o dia e a noite. Um amontado de mistérios que logo seriam resolvidos - pela singela existência um do outro. O destino seria tão perfeito, ou um feito amaldiçoador.
Teria sido tudo coincidência, ou apenas um teatro. Seria uma cópia do original ou uma vontade reprimida de reproduzir o outro. Estaria tão perplexo pela outra existência, a ponto de deseja-la incompreendidamente.
E o tempo passaria a reproduzir as respostas que nunca haviam sido feitas no passado?
O Amor não seria imprudente. Mas seria insuficiente para salvar qualquer laço. E somente a morte traria o perdão que tanto foi ansiado... Até que perdesse todo o sentido.
Eu não quero mais, repetiria.
E assim o seria.
As escolhas feitas de mãos vazias, agora estão cheias de culpa.
Não conhecemos o coração dos outros... não podemos criar conclusões sobre a dor de ser cada um. Mesmo que algumas situações pareçam óbvias, mentiras envenenam a certeza.
O lamento de um coração não entra em conflito com a sinceridade do vazio. A verdade liberta. A mentira cria dualidades e caminhos que não se pode percorrer...
Não sem a certeza.
Mas a incerteza chega, e quando vens. Vens para destruir, dilacerar qualquer sentimento. O abismo grita, o vazio se afasta. Está cheio novamente... e precisa esvaziar. Precisa de qualquer motivo para se agarrar a realidade, antes que por um fio... tudo se vá.
E é tão fácil se deixar ir.
Como se o mundo não mais importasse. Nada de diferente poderia ser feito. E ao mesmo tempo pode ser feito de tudo. Porque uma vez o vazio sussurrou... nas noites em que não conseguia dormir, e tinhas a mente atormentada.
O perdão não pode ser vazio. Precisa ser sempre completo, não pode existir brechas. Tem de ocorrer em um todo, para que em sua totalidade supere a decepção. Algumas vezes nada precisa ser dito, não precisa de bons motivos para se abandonar boas memórias, se essas já estão envenenadas.
Não se pode criar certezas cruéis sobre os outros. E jamais me atreveria a escrever - não de novo - sobre o coração de outra pessoa.
VII. Partidas.
Nunca é muito tarde para se dar uma nova chance. Não é necessário alarde, ou qualquer brutalidade do sentimento. Não é mais preciso se pensar demais, ou adivinhar todos os motivos.
A natureza do escorpião é essa. E ninguém pode mudá-la.
Para Cássia. Essa e várias outras.
Num bocado de chuva, um interminável vai e vem. Meus olhos fitam essa movimentação, dia após dia. Talvez a felicidade esteja demais, se...